Entendam terráqueos, cada ser humano se motiva e sente as coisas de forma única e particular.
Há um tempo atrás um amigo me disse que estava cansado desse mundo de redes sociais onde todos somos vigilantes da vida dos outros e das atitudes do mundo.
Disse ainda que estava cansado de política, feminismo e bullying.
Idiotamente, perguntei porque.
Ele disse que feminismo é uma maluquice que ninguém precisa costurar a próprias vaginas para provar seu ponto de vista e argumento. Bem, não sabia que tal episódio tinha ocorrido e não sei quais foram suas motivações, achei, superficialmente, o posicionamento extremado. Mas não posso, descontextualizar e esperar entender. Certo?
Errado.
Isso acontece o tempo todo.
As pessoas descontextualizam todas as situações para que se adequem ao que elas entendem e possam opinar.
Sobre opinar! Bem, não estamos opinando. Estamos ditando o certo e o errado e o que pode e não pode. Um Facebook inteiro de vigilantes da moral de dos bons costumes. Até parece!
Falácias.
Hoje é quarta e só essa semana vi crime de tortura ser vangloriado porque o guri roubou uma bicicleta.
Entendo que esta seria a justa medida nos tempos de Hamurabi, ou não? Estamos nos tempos de Hamurabi?
Quem deu poder a estes senhores para tatuar, a título de pena, a testa do guri? Trevas!
Quanto à vaquinha, bem, não verá meu dinheiro, mas cada um se engaja na causa que entender justa. E você que vive com o dedo em riste não tem absolutamente nada a ver com isso.
O interessante e bizarro é que sabendo da fragilidade da argumentação da crueldade, os defensores da tortura fazem comparativos com outras barbáries como se uma excluísse ou desmerecesse a outra.
Não.
Achei criminoso o crime de tortura contra o guri assim como meu coração dói toda vez que ouço que um policial morreu, seja enquanto estava na rua à paisana ou em serviço. Eles pagam com a vida o preço da corrupção e do sucateamento do Estado. Famílias ficam sem seu arrimo e sem seu orgulho para que eles enxuguem gelo.
Porque é exatamente isso que a força policial carioca faz. Enxuga gelo com papel ofício.
Ou seja, lutam contra algo que não podem mais conter com armas inferiores.
Ah...esse semana li ainda, gente julgando o sofrimento da mãe do guri que morreu por conta de negligência em seu atendimento médico. Li até que a mãe queria se livrar, porque o filho era um fardo. Oh céus. Nem vou comentar. Como vou saber se a mãe não deu entrevista dopada. Se está se fazendo de forte para lutar pela justiça. Ou sei lá eu...
Quem nos colocou na posição de juiz e júri???
Mas voltando as indignações do meu amigo.
Ele disse ainda que bullying era frescura de geração mimimi. Oh céus. Acho que a única diferença entre esta geração e a minha, a nossa, é que essa deu nome ao problema. Na minha época também tinha. Bullying cruel e traumatizante. Se você não sofreu não tem como saber. Entendeu?
Você está analisando sem todos os elementos.
E aí eu volto as motivações.
Ele disse que um dos melhores amigos dele era o último a ser escolhido no futebol e não teve sequelas disso em sua vida. Bem, espero, de verdade, que não tenha. Mas pode ser que essas sequelas se revelem quando eles não estão numa mesa de bar bebendo. Como saber?
Mas sabe, tem sequelas que ficam e isso vai variar de cada ser humano e suas motivações e sua forma completamente única de enxergar a vida e seu jeito absurdamente particular de entender o mundo, fatores extremamente específicos de cada indivíduo dos quase 7,5 bilhões que somos.
Você, com certeza, já ouviu a fábula dos dois irmãos filhos de um alcoólatra. Um deles não suporta bebida e se tornou um ótimo homem e o outro acabou-se no mesmo vício.
Entenderam?
Motivações.
Formas de enxergar a vida.
Formas de entender o mundo.
Simples. Se você entender isso você vai entender o porquê viver em comunidade/favelas não é passaporte ou justificativa para o envolvimento com o crime.
Vai entender que o bullying existe e cada uma o sentirá de uma forma. Vai parar de julgar certo e errado para ouvir eco em rede social cada uma dentro da sua bolha. E o principal, vai criar empatia pelo ser humano. Respeitando cada um.
EMPATIA!