Até hoje dizem que adolescentes vivem tudo de forma intensa, e acham que tudo é pra sempre, como se, quando adultizamos, isso deixasse de ser a nossa realidade, como se entendêssemos magicamente a finitude das coisas.
Depois da adolescência, daí sim que vem grandes rompimentos, quebras, perdas, fins.
Fosse assim, caso compreendêssemos a eternidade juvenil das coisas, não viveríamos relacionamentos ruins, lidaríamos melhor com términos, finitos e perdas. Mas não. As remoemos e quando não fazemos isso sozinhos, não raro temos ajuda para nos cobrar os "pra sempres" que acabam.
A gente romantiza tudo. Amizades, romances, trabalho, pessoas, amores e até decepções. Essa parte de romantizar as decepções é um pouco bizarro se você pensar que estamos romantizando coisas que não nos fazem bem.
Se você já terminou um relacionamento e alguém ficou cobrando os porquês e a volta você sabe o que estou falando, Às vezes, infelizmente e humilhantemente, a própria pessoa.
É como se, basicamente, não importasse a razão, que pode até ser mais de uma, os sentimentos, que podem acabar, as decisões, que sempre são difíceis de serem tomadas. O que importa é que se as pessoas, externamente, idealizavam aquele relacionamento e por isso, também, ele não pode acabar assim, né?
Daí as pessoas começam a tratar com "vai passar", "vocês vão se acertar" ou como se tudo fosse uma fase e temporário, como se a gente não pudesse optar não querer mais pessoas na nossa vida, somente porque elas ficaram tempo demais lá ou uma delas não superou sentimento e espalhou isso aos 4 ventos ou, o pior dos motivos, as pessoas, externas à essa relação, querem, porque idealizaram aquele relacionamento.
Sabemos que cada relacionamento é único, formado por dois universos distintos e infinitos e por isso, o que funciona para uma relação pode não funcionar para outra. Mas em se tratando desses infinitos as vezes eles não conversam mais, e ok. Finito.
E quando você está num relacionamento que todos acham perfeito, mas só a gente sabe o que passou e as pessoas ficam dizendo você tem que relevar, perdoar, pensar no amor, pensar em tudo que foi vivido, quando, em verdade, você pensou e essas foram as razões do rompimento?
E nem precisava mais pensar naquilo, revisitar aquelas vivências que nem sempre são leves, suaves e coloridas. Você superou, a vida ajeitou, colocou tudo nos lugares, sentimentos, pessoas, relevâncias, a vida seguiu e não tem volta. Está certo no coração que não tem volta, não precisa revisitar sentimentos ou decisões, porque elas já foram tomadas. E normalmente isso já é bem difícil sem ninguém cobrando ou indagando.
E quando nos questionam tanto até acharmos que a culpa de algum jeito também é nossa? E se for, normalmente é também, porque num relacionamento de duas pessoas a probabilidade de ambas errarem é grande. Erramos, seguimos, ok. Seguimos.
Engraçado como as pessoas dizem pra você superar, mas não se preparam para o fato de você de fato superar. Quando você supera, a julgam insensível, "superou rápido demais", "vai ver nem amava".
E por que isso? Porque romantizam e idealizam inclusive as relações alheias, sejam por seus próprios vazios, sejam por seus próprios incompletos e eventual projeção "a grama do outro é sempre mais verde".
E se eu simplesmente não quiser mais uma relação? Por que as coisas não pode simplesmente acabar?