quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Oi Bauman, tutupom?

E se a gente entendeu tudo errado? E se admitir sentimentos nos faz mais forte?


Quando vejo o quanto amo, minha família, meus amigos, filhos dos meus amigos, isso me deixa mais firme no mundo, mais forte pra viver. estar com ele, sentir e dar esse amor, me recarrega minhas energias para continuar.

Ter coragem de ser é sentir verdadeiramente.

Parei para pensar sobre isso, porque em conversa com uma amiga nos deparamos com o fato de que uma de nós estava apaixonada e, fomos ensinadas que falar sobre isso, sobre esses sentimentos, nos coloca em posição de inferioridade, vulnerabilidade e, como boas filhas de mulheres pretas não podemos fazer isso.

Evidente que eu, já estive nesse lugar de sentir que demonstrar afeto me coloca numa posição de vulnerabilidade em relações e por isso, aqui, estou buscando entender e dividindo reflexões sobre.

No momento que falávamos sobre, não alonguei sobre essa parte específica e focamos mais no viver e deixar viver, deixar acontecer como deve ser, naturalmente, né Xande?

Mas, sentada em minha varanda, olhando minhas plantas, bebendo meu bom café numa manhã de domingo enquanto batia um vento fresco nos meus Alpes, aquela dúvida me bateu. Sentir nos deixa vulneráreis? Ou melhor, amar, nos inferioriza? Falar sobre sentimentos nos deixa vulneráveis, admitir que apaixonamos, amamos nos inferioriza diante do objeto do afeto?

Não acredito, sob nenhum aspecto que a resposta à essas perguntas seja sim. Mas já vivi isso como se fosse algo natural e real, assim como minha amiga, recentemente.

Talvez seja algo bem misógino esse não sentir, pq isso é típico do masculino o não admitir o que sente. Sabe, o famoso "omi num chora", daí a gente acha que pegar essa liberdade (sexual e social) que sempre foi masculina, deveria nos masculinizar e nos masculinizando entender sentimentos e tudo relacionado ao feminino como algo inferior.

Sentir não faz mais fracos ou nos inferioriza. Ser capazes de dar, retribuir, demonstrar e falar sobre afetos, amores e sentimentos, não pode ser sinônimo de fraqueza. Amor é força, foi assim que aprendi, amor é a força que sustenta o mundo, num fossem os afetos, estávamos completamente perdidos, faz tempo.

Jesus num veio aqui e sacrificou por amor? O livro numa fala justamente sobre isso? Isso o fez mais forte para tolerar tudo que contam que ele passou, amor por todos, pelo que ele representava, pelo que sabia que o último sacrifício dele deixaria pela Terra e pelo que o amavam, representaria tudo sobre o amor, era o grito dele sobre o amor.


Pois pronto, do nada, sentir virou algo que nos faz menor.

Tudo bem, fui longe, mas fui lá, pra que fique claro que amar e dizer que ama exige coragem, força, tenacidade, desprendimento, e sentir tudo, claro, não é fácil, e por isso não é pros fracos.

Estamos tendo coragem de ser, estamos brigando e buscando uma tal liberdade, mas não estamos tendo liberdade de sentir. Esse sentir independente de designação sexual, manifestação cultural, gênero, posição socioeconômica. Está todo mundo no mesmo bolo.

Talvez o próximo salto seja a liberdade de sentir, pq estamos vivendo os amores líquidos da sociedade líquida de Bauman, nessa solidão de multidão, pois claro estamos fechados em nossos sentimentos. Nós não somos nós, somos o que demonstramos e isso nem sempre reflete o que sentimos e somos.

Sim, pq se todos estão indispostos, nos colocar disponíveis nos coloca numa posição...em que posição nos coloca? 

Quando externamos sentimentos nos colocamos pro outro, E se estiver tudo bem?

Sobre o outro, o que ele vai fazer com aquilo, não é da nossa alçada, se vai usar pra nos manipular e qualquer outra coisa negativa, temos discernimento de olhar e sair de onde nos machuca, mas isso não é mais sobre a gente. E, é sempre bom lembrar que desilusão amorosa não mata!

Além disso, falar sem certeza que será recíproco dá medo, como a maior parte das coisas da vida e mais uma vez exige coragem. Viver exige coragem, então não vivemos numa caverna, não há como fugir e evitar.

Parece que tomamos posse da liberdade pela metade.

Talvez seja algo bem misógino esse não sentir, pq isso é típico do masculino o não admitir o que sente. Sabe, o famoso "omi num chora", daí a gente acha que pegar essa liberdade (sexual e social) que sempre foi masculina, deveria nos masculinizar e nos masculinizando entender sentimentos e tudo relacionado ao feminino como algo inferior.

Talvez...e talvez não, porque aqui não trago verdades absolutas, mas vale a pena pensarmos sobre.



E você, tens coragem de sentir e falar que sente?

domingo, 5 de janeiro de 2025

Feliz ano novo!

 Não.

Não foi um ano fácil e eu, talvez, já devesse estar acostumada, mas a vida surpreende de formas insanas. Por tudo que foi difícil, me sinto grata, pq superei e acabou por me fazer mais forte.


E entendam, digo difícil, não positivo ou negativo, pq isso é tão relativo. Posso analisar tudo que passei sob os dois aspectos genuinamente.

Minha vida está virando adjetivo para: “vida com acontecimentos muito doidos concomitantes de modo que não consegue respirar e tudo vai se atropelando tendo que resolver tudo ao mesmo tempo e saúde mental vai pros caralhos”.

Tutupom?

Saí do eixo e tive força pra voltar e por isso celebro. Como diria a poetisa contemporânea, agradeço a mim por não ter desistido, pq motivo não faltou.

Mas também teve tanto motivo pra seguir, tanto amor e cuidado e afeto e gratidão.

E livramento.

Poderia ser pior. Poderia não descobrir em exame de rotina. Poderia.

Pra quem ainda não sabe, tirei um tumor do meu rim esquerdo em setembro. Estou bem, quase de alta médica completa. Ela vem em janeiro - a alta. Mas o que importa é que estou bem. Daqui há 5 anos, vou dizer que passou...rs

Mas meu ano foi bem mais do que isso...e assim, mais motivos para manter positiva.

Sempre brincamos em família falando que papai já pode dizer que somos ricos que já aprendemos a ser humildes e valorizar dinheiro. Mas quem sabe eu ainda não tenha aprendido a valorizar o mais importante...o que? Não sei, ainda to tentando entender, pq se for essa ser forte e resiliente...poxa vida!

E além disso, final de ano, estou repensando e re-olhando tudo, tentando me manter otimista e positiva. Então, vou ouvir uma pessoa que amo e importa pra mim, que nem me aconselhou, mas disse que fazer planos a ajuda a ter esperança e faz sentido, né?

2025, querido, seja bom!

Feliz ano novo, amigos!




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