domingo, 3 de maio de 2026

Cadê a maçã?

Cena:

Eva, chateadíssima pq levou uma culpa violenta por ter comido uma "maçã" oferecida por uma cobra.

Personagens:

Eva virada no jiraya

Adão sonso de barriga cheia

Deus punitivista

Cobra tentadora

Maçã comida


Deus chegando no paraíso anunciando: - Acabou o milho e acabou a pipoca.

Eva sem entender nada, pois tinha chegado segundos antes Dele, assusta-se com a forma como vai entrando sem cerimônia como se fosse dono. Ele era.

Ela olha pra Adão, ele de cabeça baixa sem coragem de encarar Deus ou Ela.

Deus chega sem sutileza alguma, pagando geral pra Eva, 

- Pirralha desobediente, vocês tinham tudo e ainda assim queria mais. A costela está está se achando importantona, Eu avisei a única coisa que não poderia fazer e Ela foi lá e fez.

Ela olha pra Deus, depois pra Adão. Pra Deus de novo...e começa.

Eva passa a língua nos dentes, fecha os olhos e respira fundo, abre as narinas ainda olhando para Adão, que percebeu encolheu uns dois metros dos 5 que tinha.

Deus entendeu tudo! Mas não conseguiu interrompe-la. 

Ela começa a falar que os dois eram dois moleques. Adão por ceder á tentação e Deus por acreditar em macho.

- Quem acredita em macho? Aparentemente, à essa altura, Deus acredita. Ah pois, acredita na tal da cobra e em macho. 

Deus tentou falar, Eva o fulminou com o olhar. 

- Manterrupting, essashoras? Deixa eu terminar de falar, porque estaou sendo acusada de coisa não fiz e o bonito do Sr. meu marido não abriu a boca comedora de maçã até agora. Eu organizo tudo, faço tudo nessa paraíso,  Adão num cata nem a própria folha para cobrir a mixaria - Adão ameaçou tentar se defender - e se arrependeu, pois Eva pareceu ainda mais enfurecida quando ele se movimentou.

Deus estava paralisado pela audácia da costela falante. Mas com olhar sábio e compreensivo e levemente amedrontado a deixou falar, pois nunca havia visto tamanha fúria em seus bonequitos de barro.

- Eu estava de boa, estava mexendo no Jardim ao norte, estou com furo nos dedos por conta dos cactos que estava cuidando durante do dia. Quero lá saber de bem ou mal e tentação. Não tenho tempo que outras pessoas parecem ter para ter a tal da curiosidade e sei muito bem das consequências dos meus atos. Cadê essa cobra? Quero ver ela falar na minha cara que fui eu. Cadê a maçã?

- A cobra sumiu. Respondeu Adão baixinho. 

- Qualquer dia vou sumir no mundo e e aí sim vocês vão me valorizar. Faço tudo sozinha e ainda levo culpa da curiosidade e gulodice do sr. meu fornecedor de costela. E a bem da verdade Paaaai, você sabia o que ia acontecer e como e COM QUEM. Num faz o sonso também não.

Ela estava indignada e ultrajada por levar a culpa de algo que não fez, somente pelo fato de Adão estava com medo Deus.

Deus acreditou em Eva, mas eles combinam que Adão devia ser respeitado nesse novo começo, iam recomeçar toda uma nova organização social e ela levaria a culpa diante dos poucos humanos vivos. Com tempo as pessoas esqueciam. Era quase prova de amor dela pra Adão. Eva acreditou e aceitou. Estava feito. Iam ser expulsos dali. Eva pegou umas mudas de plantas. Pensou que livre-arbítrio podia ser uma boa.

Pois bem, dor, trabalho, conflito, mortalidade, responsabilidade, espinhas, estrias, condropatia, liberdade e 8 BILHÕES de pessoas depois, Ela é a culpada de todo mal do mundo...


...e usada como justificativa para ajudar a sustentar discursos misóginos da mulher como tentação, perigo moral ou origem da queda.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Oi Bauman, tutupom?

E se a gente entendeu tudo errado? E se admitir sentimentos nos faz mais forte?


Quando vejo o quanto amo, minha família, meus amigos, filhos dos meus amigos, isso me deixa mais firme no mundo, mais forte pra viver. estar com ele, sentir e dar esse amor, me recarrega minhas energias para continuar.

Ter coragem de ser é sentir verdadeiramente.

Parei para pensar sobre isso, porque em conversa com uma amiga nos deparamos com o fato de que uma de nós estava apaixonada e, fomos ensinadas que falar sobre isso, sobre esses sentimentos, nos coloca em posição de inferioridade, vulnerabilidade e, como boas filhas de mulheres pretas não podemos fazer isso.

Evidente que eu, já estive nesse lugar de sentir que demonstrar afeto me coloca numa posição de vulnerabilidade em relações e por isso, aqui, estou buscando entender e dividindo reflexões sobre.

No momento que falávamos sobre, não alonguei sobre essa parte específica e focamos mais no viver e deixar viver, deixar acontecer como deve ser, naturalmente, né Xande?

Mas, sentada em minha varanda, olhando minhas plantas, bebendo meu bom café numa manhã de domingo enquanto batia um vento fresco nos meus Alpes, aquela dúvida me bateu. Sentir nos deixa vulneráreis? Ou melhor, amar, nos inferioriza? Falar sobre sentimentos nos deixa vulneráveis, admitir que apaixonamos, amamos nos inferioriza diante do objeto do afeto?

Não acredito, sob nenhum aspecto que a resposta à essas perguntas seja sim. Mas já vivi isso como se fosse algo natural e real, assim como minha amiga, recentemente.

Talvez seja algo bem misógino esse não sentir, pq isso é típico do masculino o não admitir o que sente. Sabe, o famoso "omi num chora", daí a gente acha que pegar essa liberdade (sexual e social) que sempre foi masculina, deveria nos masculinizar e nos masculinizando entender sentimentos e tudo relacionado ao feminino como algo inferior.

Sentir não faz mais fracos ou nos inferioriza. Ser capazes de dar, retribuir, demonstrar e falar sobre afetos, amores e sentimentos, não pode ser sinônimo de fraqueza. Amor é força, foi assim que aprendi, amor é a força que sustenta o mundo, num fossem os afetos, estávamos completamente perdidos, faz tempo.

Jesus num veio aqui e sacrificou por amor? O livro numa fala justamente sobre isso? Isso o fez mais forte para tolerar tudo que contam que ele passou, amor por todos, pelo que ele representava, pelo que sabia que o último sacrifício dele deixaria pela Terra e pelo que o amavam, representaria tudo sobre o amor, era o grito dele sobre o amor.


Pois pronto, do nada, sentir virou algo que nos faz menor.

Tudo bem, fui longe, mas fui lá, pra que fique claro que amar e dizer que ama exige coragem, força, tenacidade, desprendimento, e sentir tudo, claro, não é fácil, e por isso não é pros fracos.

Estamos tendo coragem de ser, estamos brigando e buscando uma tal liberdade, mas não estamos tendo liberdade de sentir. Esse sentir independente de designação sexual, manifestação cultural, gênero, posição socioeconômica. Está todo mundo no mesmo bolo.

Talvez o próximo salto seja a liberdade de sentir, pq estamos vivendo os amores líquidos da sociedade líquida de Bauman, nessa solidão de multidão, pois claro estamos fechados em nossos sentimentos. Nós não somos nós, somos o que demonstramos e isso nem sempre reflete o que sentimos e somos.

Sim, pq se todos estão indispostos, nos colocar disponíveis nos coloca numa posição...em que posição nos coloca? 

Quando externamos sentimentos nos colocamos pro outro, E se estiver tudo bem?

Sobre o outro, o que ele vai fazer com aquilo, não é da nossa alçada, se vai usar pra nos manipular e qualquer outra coisa negativa, temos discernimento de olhar e sair de onde nos machuca, mas isso não é mais sobre a gente. E, é sempre bom lembrar que desilusão amorosa não mata!

Além disso, falar sem certeza que será recíproco dá medo, como a maior parte das coisas da vida e mais uma vez exige coragem. Viver exige coragem, então não vivemos numa caverna, não há como fugir e evitar.

Parece que tomamos posse da liberdade pela metade.

Talvez seja algo bem misógino esse não sentir, pq isso é típico do masculino o não admitir o que sente. Sabe, o famoso "omi num chora", daí a gente acha que pegar essa liberdade (sexual e social) que sempre foi masculina, deveria nos masculinizar e nos masculinizando entender sentimentos e tudo relacionado ao feminino como algo inferior.

Talvez...e talvez não, porque aqui não trago verdades absolutas, mas vale a pena pensarmos sobre.



E você, tens coragem de sentir e falar que sente?

domingo, 5 de janeiro de 2025

Feliz ano novo!

 Não.

Não foi um ano fácil e eu, talvez, já devesse estar acostumada, mas a vida surpreende de formas insanas. Por tudo que foi difícil, me sinto grata, pq superei e acabou por me fazer mais forte.


E entendam, digo difícil, não positivo ou negativo, pq isso é tão relativo. Posso analisar tudo que passei sob os dois aspectos genuinamente.

Minha vida está virando adjetivo para: “vida com acontecimentos muito doidos concomitantes de modo que não consegue respirar e tudo vai se atropelando tendo que resolver tudo ao mesmo tempo e saúde mental vai pros caralhos”.

Tutupom?

Saí do eixo e tive força pra voltar e por isso celebro. Como diria a poetisa contemporânea, agradeço a mim por não ter desistido, pq motivo não faltou.

Mas também teve tanto motivo pra seguir, tanto amor e cuidado e afeto e gratidão.

E livramento.

Poderia ser pior. Poderia não descobrir em exame de rotina. Poderia.

Pra quem ainda não sabe, tirei um tumor do meu rim esquerdo em setembro. Estou bem, quase de alta médica completa. Ela vem em janeiro - a alta. Mas o que importa é que estou bem. Daqui há 5 anos, vou dizer que passou...rs

Mas meu ano foi bem mais do que isso...e assim, mais motivos para manter positiva.

Sempre brincamos em família falando que papai já pode dizer que somos ricos que já aprendemos a ser humildes e valorizar dinheiro. Mas quem sabe eu ainda não tenha aprendido a valorizar o mais importante...o que? Não sei, ainda to tentando entender, pq se for essa ser forte e resiliente...poxa vida!

E além disso, final de ano, estou repensando e re-olhando tudo, tentando me manter otimista e positiva. Então, vou ouvir uma pessoa que amo e importa pra mim, que nem me aconselhou, mas disse que fazer planos a ajuda a ter esperança e faz sentido, né?

2025, querido, seja bom!

Feliz ano novo, amigos!




quarta-feira, 22 de junho de 2022

Só segue...

Vou falar para as mulheres, simplesmente, porque não sei como isso funciona pros homens.

¡Ouçam sua intuição!

É isso. Acabou o artigo/post. Fim.

Não, pera. Vou explicar como sinto e ouço minha intuição, pra você, que ainda não sacou seu rolê ou fica em dúvida, saber como ouvi -la e compreendê-la.

Funciona assim pra mim. Eu simplesmente sei. Meu corpo manda sinais. O "errado" vem claramente aos meus sentidos e eu sei.
Digo sentidos, porque vem em todos mesmo, tato, olfato, paladar, visão, audição.
Pode ser de leve incômodo á enxaqueca. Mas eu sei. Sabe aquele aviso do nada dizendo pra você não fazer algo, parar algo que está fazendo, levar algo com você ou mesmo deixar um algo pra trás.
É isso.

Ah vá! Acha que estou viajando?
Nunca ouviu uma vozinha dentro de você falar: leva o guarda-chuva! Você não levou, choveu.
É isso!

Ela tá sempre ali. Essa voz é primitiva. É selvagem, no sentido de que ela nos cerca, meio sem cerimônia, fala mesmo sem dó e faz parte de nós de forma primal. Ela berra, ás vezes. Cabe á nós entender e saber ouvir.

Pra algumas pessoas ela pode ser a "voz de Deus", intersecção do Espírito Santo, dom da inteligência, pra outras, anjo da guarda. Mas o que importa é que ela está ali. Viva, pulsante e fala á beça.

Entendam que não tô falando de algo mágico, é só algo sutil que habita nosso ser. E não sou capaz de dizer se todos tem a capacidade de ouvir ou mesmo se essa "voz" fala com todos.

Nem sempre fica claro o que ela quer dizer e isso, normalmente, acontece, quando estamos numa situação que já sabemos que não nos cabe e insistimos. Ela está dizendo o contrário do que queremos fazer. Ela pode estar até "brigando" por algo já feito e que pode ter consequências ruins. Daí vem a sensação de desencaixe e de incômodo. Aquela sensação de que mexeram nas suas coisas, bagunçaram, tiraram coisa do lugar e não colocaram de volta. Essa sensação.

Bom, a pior parte é quando a realidade se impõe. Quando você vê acontecendo, exatamente aquilo que sua intuição te avisou. E você não seguiu. E faz parte. Vivemos das nossas escolhas e das consequências delas e "errar" faz parte. Nem que seja pra olhar pra trás e entender como se ouvir e se entender.

Então, se ouçam. Ouçam seus sinais, seu corpo, voz interior, intuição, como quiser chamar, mas seja fiel á você, se entenda, se respeite e se ouça.

sábado, 30 de abril de 2022

Texto sem respostas:

Como a gente descobre nosso jeito de ser feliz? Como sabemos o que nos cabe, nos serve, nos molda. Como sabemos nosso molde? E se meu molde aos 13 não é o mesmo aos 37? Não haverá de ser o mesmo pra sempre, supondo que não o somos. Como nos entender a ponto de reconhecer a felicidade que possuímos e a que devemos perseguir? Como saber o que nos cabe e o que nos sobra, onde cabemos e onde não devemos forçar caimento? Como descobrimos o que queremos, o que não podemos viver sem, o que nos tira o ar, o faz a vista embaçar de emoção? Como saber o que de fato queremos? Como entender o que nos pertence, o que nos anima, o que nos faz sentir vivos. O que de nós devemos compreender para saber se, em realidade ou em fantasia, nos pertence.

Como não fantasiar, neste mundo de fantasias, alegorias e adereços, onde todos querem algo, alguns, como esta autora, nem sabem bem o que, e que usam tais artifícios para julgar que sabem.

Como se olhar e se ver, se reconhecer, sem máscaras sociais, sem expectativas, sem passado e futuro, só o presente vivo de estômago faminto e de coração batendo? Como não se deixar enganar pelo que dizem que devemos sentir, fazer, viver, ser? Como sermos nós mesmos em essência? Porque não há de se pensar, idiotamente, que mesmo perdidos, vivendo algo que não nos destina, farsa de uma vida que não nos pertence, espelho de outra vida, deixamos de ser o que somos. Sem rumo que seja, mas estamos li de corpo presente, em vida, mesmo que em suspenso por falta de referencial.

Como saber se o que temos é de fato nosso? Com saber o que deixar pra trás? Como saber quando ir, quando esquecer, quando não ser, quando não estar ou permanecer? Será possível esquecer?

Como saber se o rumo é o RUMO?

Meu rumo sempre foi a liberdade. Seja o ir e vir, seja o sentimento. A liberdade de ser fiel aos meus sentimentos, quereres e escolhas. A liberdade de respirar meu próprio ar, de andar com minhas pernas, de sentir em minha pele. A liberdade de ter o privilégio de ser capaz de escolher. A liberdade de saber que minhas escolhas me pertencem, não são ecos. A Liberdade de viver das consequências e pesos das minhas escolhas. 

Poderia passar uma vida me questionando, questionando à você, querido leitor, e em verdade é o que faço. Poderia viver a busca, e que de um jeito ou outro, mesmo sem intenção, mesmo achando que nossa rotina é maçante e por vezes reduzida à casa e trabalho, mercado, mensagens, shopping, roupa, copos, vinhos, sapatos, pizzas, pratos. Nada disso deixa de nos ser e nos caber, mas o quanto disso nos preenche?

Infelizmente sou uma insatisfeita, uma questionadora, uma buscadora de coisas e sentidos, acho que vou viver sob o signo da busca com ascendente em surpresa, e eu nem gosto de surpresas. Mas se é, basicamente, disso que se vive, mesmo que não nos demos conta quando a vida cotidiana se impõe, não há o que fazer...exceto por entender a busca, entender o caminho, apreciar a vista, sentir o vento bater no rosto, a chuva molhar, o sol queimar, o amor arder, a decepção ensinar. E, ao passo que vivemos isso, entender ou ao menos olhar vagamente algumas respostas, ensaiar compreensão para quando findar essa parte não ser incompleta.

sábado, 3 de julho de 2021

Carona - Ela

-Vai descer?

Essas palavras são mágicas quando você mora numa ladeira. Mas ela conhecia aquela voz. Aquela voz tinha lhe dito as últimas declarações de amor, e também as palavras que mais lhe doíam. Os últimos "eu te amos" e tudo mais que lhe fazia ferver, assim como "não dá mais" "não somos mais felizes juntos".
Essa voz!

Ela virou, eles se entreolharam e durante 3 segundos, olho no olho, ela teve dúvida se aceitava a carona. Somos civilizados. Ele ofereceu. Por que não aceitaria? Melhor não entrar nesse carro, nenhum dos dois aguentariam. Pra que forçar a proximidade física? Por que não aceitar?

- Claro!

Sorriso forçado, sem graça.

- Como vc está?
Ela ficou sem resposta, respirou fundo e ele fez o mesmo. Um piscada mais demorada. Ela sabia o que significava. Ele ia falar do seu cheiro, que tinha gostado ou que estava incomodando pra implicar. Ele não disse nada.

- Bem, e vc?
- Bem.

Ambos mentiram.

A magia de ser vizinha do seu ex é que você pode encontrá-lo com uma frequência assustadora, e você nunca estará preparada para este encontro.

- Te deixo no ponto...

Não fala nada sobre a ambiguidade dessa afirmação, para não ser íntima, não é momento, não terá mais esse momento. Nenhum momento. Acabaram os momentos, por que você está pensando nos momentos?

Eu sabia. Não devia ter aceitado.

- Ah tá, obrigada!

A familiaridade é algo assustador, você está ali, aquela pessoa tem tudo sobre você dos últimos 5 anos. Seus choros, suas mágoas, sua rotina, seus desabafos, suas piadas sem graça, seu esforço para fazer dar certo, suas risadas, suas lutas e suas desistências, seus momentos bons e ruins, íntimos e supérfluos.

Que idiotice aceitar essa carona. Que silêncio constrangedor. Ele ainda usa o perfume que eu dei. Seria o cúmulo da falta de educação não ter aceitado. Criatura, você já ta dentro do carro.

O carro para.

- Até. Obrigada.
- Até, bom trabalho.
- Obrigada!

Ela coloca o fone de ouvido, dá o play sem escolher música. Estava sem ar. Fazendo cara de folha seca. Não podia criar um situação de uma simples carona. Simples carona. Era uma simples carona? Agora era. Fim.

Fim?

Ele haviam se despedido antes, foi doloroso, à despeito de ser correto. Demorado. nenhum dos dois queria de fato ir. Mas, em verdade, já tinham ido há bastante tempo.

"How do I live? How do I breathe?"

Meu Deus!

Ela fica olhando o carro se afastar. Aquilo era cena e uma novela mexicana muito ruim. Era muito previsível.

"When you're not here I'm suffocating"

Olá, lágrimas, tudo bem? Já por aqui? Nem faz tanto tempo assim..."I want to feel love, run through my blood, Tell me is this where I give it all up"?

- Foda-se.

Ela falou alto, a pessoa no ponto do ônibus não entendeu nada. Ela olha pro outro lado.

Viva la México! Ela pensou...

Sam Smith não dá trégua. Ela se permitiu sentir.

"For you I have to risk it all, 'Cause the writing's on the wall"

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Carona - Ele

- Vai descer?

Ele perguntou, com medo da resposta, fosse positiva ou negativa. Positiva, ela entraria em seu carro, sentaria ao seu lado, muito parecido com o que faziam nos últimos anos. Com algumas sutis e profundas diferenças. Caso fosse negativa, ele sentiria que a distância já se empunha. Ele não sabia o que ia doer mais.

Ela olhou nos seus olhos. Era impressionante o quanto aqueles olhos falavam, o quanto ela era translúcida em suas emoções. Aquele olhar já o hipnotizou algumas vezes e já havia fulminado algumas outras e tinha um brilho lhe deu esperança...por um tempo, uma mini eternidade.

Ela estava pensando se aceitava ou não. Ela pensou em não aceitar. A distância já estava presente.

- Claro.

Ela respondeu, como se não tivesse ficado em dúvida. Sorrio sem graça.

Faço uma piada? Melhor não.

- Como você está?

O cheiro dela. Teve certeza que nunca mais ia esquecer cheiro dela. Ela não usava perfume, cismava que tinha alergia, mas na verdade, gostava de hidratante e isso fazia com que sua pele tivesse sempre um cheio suave.

- Bem, e você ?

- Bem.

Mentiu, sabendo que nenhum dos dois estavam bem. Nada estava bem. Decidiram, dias antes, não ser mais juntos. Ele sabia que ela tinha toda a vida pra viver, ele sentia que não poderia oferecer tudo que ela precisava, gostaria e merecia. Ela era raio de sol, luz da lua, iluminava qualquer ambiente, não poderia se apagar por causa dele. Ele já não irradiava para acompanhá-la. Ou pelo menos sentia assim...

- Te deixo no ponto...

Ela olhou com leve sorriso nos lábios, ele pensou em fazer piada, mas teve receio de ser mal interpretado. Era Ela. Falavam sobre tudo, as maiores besteiras e os maiores absurdos, as melhores declarações e até palavras pesadas que doíam em ambos. Melhor manter à distância das piadas também.

- Ah tá, obrigada!

Claro que a deixaria no ponto, onde mais? Tinha feito isso nos últimos 5 anos. Será que isso vai deixar de ser familiar? Será que teria que mudar de horário para não encontrá-la? Ridículo! Ele quase falou em voz alta.

Ela estava com a blusa verde. Ela ficava linda de verde. E aquela era a blusa do primeiro encontro. Ele lembrava, por que havia repassado todos os momentos durante o fim de semana. Será que ela colocou de propósito? Provavelmente não. Ela era distraída demais. Se bem que ela sempre pensava nos detalhes. Ela colocou de propósito. Ela sabia ser bem antagônica, a mais distraída e mais perspicaz, a mais doida e a mais sensata, a mais menina e mais madura, a mais sexy e a mais palhaça. Ela merecia mais... Era só o que conseguia pensar.

Que bosta! Estamos os dois em silêncio. Pra que ofereci a carona? Pra criar climão? Pra me aproximar? Será que ela pensa que quero me reaproximar? Puxa um assunto...

Olhando pra ela, na verdade, esses pensamentos nem importavam, foi bom vê-la, saber que podiam conviver. Saber que mesmo com a mudança do que ambos eram um pro outro ainda havia algo. Algo que eles ia ter que reformular, redescobrir, mas algo e era bom ter algo ainda vivo com ela. Sentir seu cheiro, olhar em seus olhos, vê-la sorrir mesmo que sem jeito pela situação. Acabou! Ela merecia ser feliz.

Chegamos? Já?

- Até. Obrigada.

- Até, bom trabalho.

- Obrigada!

Despedida rápida. Ela saiu do carro sem olhar pra trás. Colocou o fone no ouvido. A fuga dela era a música,. Ele sabia. Sabia muito sobre ela. Mas não tinha ideia de como ela estava lidando com tudo. E por um instante ele lembrou o porque se apaixonou tão rápida e intensamente por ela. Por que ela era toda a intensidade e ternura que ele desejava.

Demorou à andar com o carro pensando se haviam tomado a decisão certa. Era só o que pensava nos últimos dias. Mas ambos sabiam que era.

...

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Escalada

Como faz pra se deixar amar de novo?
Como faz pro coração entender que outra pessoa pode ocupar?
Mesmo que ele, agora, esteja vazio.
Sabe quando você foi muito amada, viveu intensamente momentos bons ao lado de uma pessoa, aquele amor que fazia você se sentir preenchida?
O amor que lhe declamava e sentia era palpável, quente, tinha cheiro, gosto.
E a gente passa a não aceitar menos.
Menos amor?
Eu sei o que é amor. Eu sei amar. Eu sei ser amada.
Sabia.

Eu fui no topo do que há pra ir.
Eu fui ao Chuí e ao novo extremo norte do país.
Eu estive no Everest, escalei os Alpes.
Eu senti o ar rarefeito, escalei com peso nas costas.
Às vezes tinha mantimento e quando não tinha, não sentia falta.
Estava repleta, completa.

Eu olhei o mundo de cima.
Eu vi gente congelar no caminho.
Eu senti o calor da chegada, mas também senti o frio do fim.
E se escalar não for do mesmo jeito?
E se o ar não faltar?
E se o coração não estiver cheio?
E se for pouco?
Se não foi o suficiente?
Se escalada machucar?
E se eu não chegar no topo de novo?

domingo, 6 de setembro de 2020

o pra sempre, sempre acaba...ou se transforma.

Até hoje dizem que adolescentes vivem tudo de forma intensa, e acham que tudo é pra sempre, como se, quando adultizamos, isso deixasse de ser a nossa realidade, como se entendêssemos magicamente a finitude das coisas.

Depois da adolescência, daí sim que vem grandes rompimentos, quebras, perdas, fins.

Fosse assim, caso compreendêssemos a eternidade juvenil das coisas, não viveríamos relacionamentos ruins, lidaríamos melhor com términos, finitos e perdas. Mas não. As remoemos e quando não fazemos isso sozinhos, não raro temos ajuda para nos cobrar os "pra sempres" que acabam.

A gente romantiza tudo. Amizades, romances, trabalho, pessoas, amores e até decepções. Essa parte de romantizar as decepções é um pouco bizarro se você pensar que estamos romantizando coisas que não nos fazem bem.

Se você já terminou um relacionamento e alguém ficou cobrando os porquês e a volta você sabe o que estou falando, Às vezes, infelizmente e humilhantemente, a própria pessoa.

É como se, basicamente, não importasse a razão, que pode até ser mais de uma, os sentimentos, que podem acabar, as decisões, que sempre são difíceis de serem tomadas. O que importa é que se as pessoas, externamente, idealizavam aquele relacionamento e por isso, também, ele não pode acabar assim, né?

Daí as pessoas começam a tratar com "vai passar", "vocês vão se acertar" ou como se tudo fosse uma fase e temporário, como se a gente não pudesse optar não querer mais pessoas na nossa vida, somente porque elas ficaram tempo demais lá ou uma delas não superou sentimento e espalhou isso aos 4 ventos ou, o pior dos motivos, as pessoas, externas à essa relação, querem, porque idealizaram aquele relacionamento.

Sabemos que cada relacionamento é único, formado por dois universos distintos e infinitos e por isso, o que funciona para uma relação pode não funcionar para outra. Mas em se tratando desses infinitos as vezes eles não conversam mais, e ok. Finito.

E quando você está num relacionamento que todos acham perfeito, mas só a gente sabe o que passou e as pessoas ficam dizendo você tem que relevar, perdoar, pensar no amor, pensar em tudo que foi vivido, quando, em verdade, você pensou e essas foram as razões do rompimento?

E nem precisava mais pensar naquilo, revisitar aquelas vivências que nem sempre são leves, suaves e coloridas. Você superou, a vida ajeitou, colocou tudo nos lugares, sentimentos, pessoas, relevâncias, a vida seguiu e não tem volta. Está certo no coração que não tem volta, não precisa revisitar sentimentos ou decisões, porque elas já foram tomadas. E normalmente isso já é bem difícil sem ninguém cobrando ou indagando.

E quando nos questionam tanto até acharmos que a culpa de algum jeito também é nossa? E se for, normalmente é também, porque num relacionamento de duas pessoas a probabilidade de ambas errarem é grande. Erramos, seguimos, ok. Seguimos.

Engraçado como as pessoas dizem pra você superar, mas não se preparam para o fato de você de fato superar. Quando você supera, a julgam insensível, "superou rápido demais", "vai ver nem amava".
E por que isso? Porque romantizam e idealizam inclusive as relações alheias, sejam por seus próprios vazios, sejam por seus próprios incompletos e eventual projeção "a grama do outro é sempre mais verde".

E se eu simplesmente não quiser mais uma relação? Por que as coisas não pode simplesmente acabar?

terça-feira, 23 de abril de 2019

Sobre ser carioca

Ah...eu sou carioca!

rio de janeiro statue GIF

Comecei dizendo, mas poderia não fazê-lo pelo que vou descrever, você ia sacar.

Então, pra começar, falamos gírias, inventamos, e elas não fazem nenhum sentido ao ouvinte incauto. Quase um dialeto. Mas acho que isso existe em qualquer lugar.
Demorou? Partiu? É nós, falado com bastante X. Sim, não tem, mas substituímos o S sempre que podemos, mesmo sem precisar.

Carioca é bairrista e metido à superior. Pela visão do carioca, esta seria a melhor cidade do Brasil, quero dizer, do mundo. Ninguém, além dos cariocas, podem falar mal da cidade. Mas eu... nós a massacramos constantemente em redes sociais e conversas de bar, dentro de casa, em palanques, esquinas, em pontos de ônibus quando eles não param, ou com sorte dentro do busão lotado.

Xinguem nossa mãe, mas não confunda Méier com Tijuca. Grajaú com Tijuca. Vila Isabel com Tijuca...na verdade o problema é a galera da Tijuca mesmo.

Tijuca é um vale cercado de favela que se acha zona sul da zona norte, qualquer habitante dali já usou essa frase pelo menos uma vez na vida, mas não por que tem praia e sim porque os valores dos imóveis são similares aos valores da zona sul mesmo.

Barra da Tijuca é a parada da galera que submergiu faz pouco tempo, então tem muito dentista, jogador de futebol, sub-celebridade, e a galera que ainda não banca Zona Sul. esse bairro tem a maior quantidade de shoppings da cidade e, sim, isso diz muito sobre eles, e não ouse, chamar a Barra de zona oeste, porém é, tanto quanto Campo Grande e Santa Cruz.

A Zona Sul se resume em, bairros de pessoas muito idosas e galera que vende sexo, bairro dos artistas globais e bairro de ricos clássicos que vieram nas caravelas.

E nenhumas dessas regiões está imune da criminalidade e das favelas. Eu posso dizer que moro em São Conrado e morar em favela de boa.

Ah, você vai achar que eu esqueci de falar sobre a Baixada Fluminense, porque é assim mesmo, esquecemos que existe, e estava falando de carioquices, e não fluminensices, mas valem as seguintes menções: A baixada é comumente esquecida principalmente pelo poder público, exceto em época de eleição. A Região Serrana usamos para reclamarmos de frio quando vamos lá e ficamos com medo de que as enchentes a atinja. Dali apreciamos suas calcinhas e cervejas. A Região dos Lagos utilizamos para férias, feriados e ter casa invadida.

Bar temos de todos os tipos. Botecos, Pés sujos, Cobais, Estilosos, da moda, das antigas, Baixos, Altos, Distribuidoras e Depósitos. Somos beberrões. Temos redutos de bares em quase todos os bairros, onde cariocas e turistas se reúnem para beber e curtir o fim de semana que é celebrado toda sexta-feira...e quintas, quartas, terças, segundas...

Mas as sextas-feiras tem sabor especial. Elas são esperadas desde às 20h do domingo. Quando chega quarta-feira o carioca já diz que é quase sexta e na quinta já tem a pré-sexta então já é motivo pra comemorar e os bares da cidade já ficam lotados.

Dia de perdido do Rio de Janeiro é quinta-feira, mermão. Sexta já está manjadíssima.

Malandragem, temos de sobra. Todo carioca se acha malandro. Algumas vezes não sabemos usar essa malandragem, mas adoramos dizer que a temos. A gente se acha super esperto, malandro e descolado. Mas elegeu os Bolsonaros, que não fazem absolutamente nada de produtivo, nem mesmo pelo Twitter, assim como mantemos todo o clã Picciani na ativa, e os Brizolas que já não são os mesmos e não prezam mais pelos valores de seu patriarca. 

Imagem relacionada

Aqui, elegemos, pastor incompetente, também, e quase elegemos corrupto que acreditávamos ser melhor que ex-juiz, porque de fato era. Visualizou? Sim, essa é nossa cena política.

Não posso esquecer de dizer que matamos vereadores, opositores e quem estiver incomodando as pessoas que mandam na cidade. Mas isso nem é exclusividade nossa. Infelizmente.

Pagamos caro de passagem de busão, alguns sem ar condicionado e tá de boa. Somos frequentemente passados pra trás por políticos, paulitas...mas ainda assim, nos achamos espertos com turistas. E isso não é, necessariamente, uma característica positiva.

Sobre o metrô, sempre lotado, galera da linha 1 se acha superior, finge de educada anda rápido pra sentar. A galera que entra na Central não se faz de rogado e sabe que a viagem é longa e sentar é luxo...correm sim, derrubam velhinhas, chutam filhotes de cachorros, cospem da cara de bebê, fingem que estão dormindo, ficam na porta, esperam pela freada brusca (famoso: ô minha marmita), e reclamam, mesmo sabendo que é melhor frear do que bater.

Praianos. Somos aquáticos em nossa maioria. Fazemos festa, aplaudimos o pôr-do-sol, fazemos lual, ano novo, aniversário, quando tem e quando não tem nada pra fazer, vamos à praia. Biscoito Globo e Matte com limão que vendem na praia são algumas de nossas maiores relíquias. Mas temos também camarão temperado com água de mar e vendedor de esfiha vestido de árabe. Temos tantas praias que nem sei...nem todas próprias para banho. Sim, porque, para quem não sabe, jogamos nosso esgoto lá. Genial!

Conhecemos o flanelinha e o cara da barraca de aluguel de cadeira e guarda-sol. E quando não os conhecemos agimos como se conhecêssemos e tudo certo.
Essa é a dinâmica.

A gente vai de chinela pra shopping, moramos aqui mas não visitamos nossos pontos turísticos, lotamos calçadão de Madureira e Saara. Sim, temos nosso próprio Saara, que além de nos fazer passar calor, derrete o dinheiro dos nossos bolsos.

A gente grita "bandido bom é bandido morto", mas como 22% da população da cidade é favelada, e tinha gente que não queria fazer distinção entre bandido e inocente, ia morrer um mucado de gente.

Se fecha um cinema, vira igreja ou farmácia, basicamente IURD e Pacheco, respectivamente. Então, só temos cinema em shoppings e fingimos que isso é legal por que é mais seguro e tem praça de alimentação, mas na real fomos forçados a não ter outra opção.

Nossa cidade é quente, alguns dizem, solar. Todos sabem, mas nossa frota de ônibus ainda não é toda climatizada...sugiro linha 301 e 302 Rodoviária - Barra da Tijuca e 410 Gávea - Grajaú.

Não sabemos dirigir. Mesmo os que tem carteira de habilitação devidamente obtida junto ao Detran/RJ. 
Temos um jeito único, selvagem, egoísta, imprudente, apressado e negligente de circular pela cidade. Seja a pé, carro, moto, busão, bonde, bicicleta, skate ou carrinho de rolimã. Faz parte do nosso charme.

Nossas crianças perdem aulas por causa de tiroteio. E quando já estão lá, têm que se abaixar pra evitar uma "bala perdida".

Ah...as famosas "balas perdidas", moda nos anos 2000, agora quase não a chamamos mais assim por que tudo é culpa da polícia. Não importa muito a origem do projétil, perícia, trajetória, ângulo, a culpa é sempre da polícia que pelo jeito é a única que atira em comunidades.

Na Uruguaiana, feira de Acari e outros lugares até mais formais e em endereços centrais, antigos e nobres da cidade, mercadorias são produtos de contrabando, "tombo" e tá tudo bem também...todo mundo sabe e ninguém vê. Especialidade de carioca.

E sobre o "tombo", que basicamente é produto rouba de carga, mas que chamamos assim, carinhosamente, para amenizar o fato de que estamos receptando coisa roubada, e, o que o Código Penal não vê, ele não sente.

Nossa cidade é violenta, queremos medidas enérgicas e ainda assim conseguimos curtir a Lapa. Torcemos por escolas de samba que são basicamente reduto de bicheiros, gostamos quando eles falam de corrupção chocados e indignados. Nos representa. É um a poesia em forma de hipocrisia. Ou será uma hipocrisia em forma de poesia???

Somos apaixonados por futebol e nos dividimos entre os que assumem que são flamenguistas e os que fazem parte da torcida arco íris, que não tem coragem de assumir seu coração rubro-negro.
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Temos os melhores bailes funks, porque o funk, como popularizou pelo mundo, é nosso. (às vezes nem é, mas eu disse que eu era carioca, vou puxar a sardinha pro nosso lado). Fazemos baile no Jóquei e debaixo de viaduto. E o Rock In Rio também é nosso é que recebe Anitta e Metallica, Slipknot e Ivete e é, basicamente a única época do ano que os meios de transporte funcionam.

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Ah não, pera, os transportes funcionam no carnaval também só o que não funciona é a prefeitura.

Trocamos Saraivas por Dolce Gabbana, mandamos retirar Habibs de shopping da zona sul pra não correr o risco de popularizar demais o ambiente. Assim como, não deixamos ter loja de departamento nos shoppings da zona sul e Barra da Tijuca.
- Imagina, pobres que parcelam em 10 vezes no cartão nessas áreas, Narcisa?

Aqui nos meses de março e abril é uma beleza, uma enchente atrás da outra, que atinge as cidades da região serrana pra ser mais democrática, e quase nos destrói por completo. É assim desde sempre e nossos governantes não gostam de quebrar tradições, daí não ousam mexer nisso.

E jogamos lixo na rua , no chão, em qualquer lugar, que não necessariamente a lixeira, porque temos apreço pelo emprego do Gari, reflexo da nossa boa educação...sim, como 97% desse texto isso é suco de sarcasmo.

Somos obrigados a usar cinto de segurança em carro de passeio, mesmo no banco de trás, mas o busão segue lotado nas curvas da serra de Jacarepaguá ou do Alto da Boa Vista e tá de boa...sobrevivemos, quase sempre.

Ah...Isso a gente faz bem. Sobreviver. À violência sem que ninguém faz nada, (Ops, não, pera, agora podemos ter arma em casa, e tá tudo resolvido), Tiroteio em vias expressa, Arrastão na praia enquanto estamos relaxando, Assaltos feitos por crianças que deviam estar em escolas, Tiros quando voltamos pra casa, Buracos em vias públicas, poderes paralelos, Trânsito mal sinalizado e caótico. 

Sobrevivemos à obras faraônicas para nada, tipo a ponte esteada da Ilha do Governador ou VLT que Crivella tentou desativar. 2347 obras por ano no Maracanã. Estação de Metrô que não deixa em lugar conveniente pra população. Obras inventadas temos aos montes. Despoluição da Baía de Guanabara nem ouvimos sobre. Pistas para ciclistas que funcionem sem risco de cair, também não.

Sigamos sobrevivendo num paraíso mal cuidado, violento, injusto, belo, sujo, sofrido, surrado, solar, agoniado e que, de teimoso, insiste em ser maravilhoso.

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