Como a gente descobre nosso jeito de ser feliz? Como sabemos o que nos cabe, nos serve, nos molda. Como sabemos nosso molde? E se meu molde aos 13 não é o mesmo aos 37? Não haverá de ser o mesmo pra sempre, supondo que não o somos. Como nos entender a ponto de reconhecer a felicidade que possuímos e a que devemos perseguir? Como saber o que nos cabe e o que nos sobra, onde cabemos e onde não devemos forçar caimento? Como descobrimos o que queremos, o que não podemos viver sem, o que nos tira o ar, o faz a vista embaçar de emoção? Como saber o que de fato queremos? Como entender o que nos pertence, o que nos anima, o que nos faz sentir vivos. O que de nós devemos compreender para saber se, em realidade ou em fantasia, nos pertence.
Como não fantasiar, neste mundo de fantasias, alegorias e adereços, onde todos querem algo, alguns, como esta autora, nem sabem bem o que, e que usam tais artifícios para julgar que sabem.
Como se olhar e se ver, se reconhecer, sem máscaras sociais, sem expectativas, sem passado e futuro, só o presente vivo de estômago faminto e de coração batendo? Como não se deixar enganar pelo que dizem que devemos sentir, fazer, viver, ser? Como sermos nós mesmos em essência? Porque não há de se pensar, idiotamente, que mesmo perdidos, vivendo algo que não nos destina, farsa de uma vida que não nos pertence, espelho de outra vida, deixamos de ser o que somos. Sem rumo que seja, mas estamos li de corpo presente, em vida, mesmo que em suspenso por falta de referencial.
Como saber se o que temos é de fato nosso? Com saber o que deixar pra trás? Como saber quando ir, quando esquecer, quando não ser, quando não estar ou permanecer? Será possível esquecer?
Como saber se o rumo é o RUMO?
Meu rumo sempre foi a liberdade. Seja o ir e vir, seja o sentimento. A liberdade de ser fiel aos meus sentimentos, quereres e escolhas. A liberdade de respirar meu próprio ar, de andar com minhas pernas, de sentir em minha pele. A liberdade de ter o privilégio de ser capaz de escolher. A liberdade de saber que minhas escolhas me pertencem, não são ecos. A Liberdade de viver das consequências e pesos das minhas escolhas.
Poderia passar uma vida me questionando, questionando à você, querido leitor, e em verdade é o que faço. Poderia viver a busca, e que de um jeito ou outro, mesmo sem intenção, mesmo achando que nossa rotina é maçante e por vezes reduzida à casa e trabalho, mercado, mensagens, shopping, roupa, copos, vinhos, sapatos, pizzas, pratos. Nada disso deixa de nos ser e nos caber, mas o quanto disso nos preenche?
Infelizmente sou uma insatisfeita, uma questionadora, uma buscadora de coisas e sentidos, acho que vou viver sob o signo da busca com ascendente em surpresa, e eu nem gosto de surpresas. Mas se é, basicamente, disso que se vive, mesmo que não nos demos conta quando a vida cotidiana se impõe, não há o que fazer...exceto por entender a busca, entender o caminho, apreciar a vista, sentir o vento bater no rosto, a chuva molhar, o sol queimar, o amor arder, a decepção ensinar. E, ao passo que vivemos isso, entender ou ao menos olhar vagamente algumas respostas, ensaiar compreensão para quando findar essa parte não ser incompleta.
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