quinta-feira, 21 de junho de 2018

Começo do fim...

Deixa eu contar uma história pra vocês.

Há alguns anos atrás, a política, ou melhor, a forma como nós víamos e como era feita a política nacional era bem diferente

E eu não estou falando da ditadura que durou 21 anos e deixou marcas muito intensas na estrutura social e na classe política brasileira. Estou falando sobre representatividade. 

Como assim?

Era sobre o se ver no papel de protagonista da política. O sentimento de alguém realmente do povo ocupando um lugar onde conseguíamos nos enxergar. Enxergar a parcela nordestina, a parcela de origem pobre que não se via representada pelos políticos ditatoriais ou pós ditadura.

Isso porque, venhamos e convenhamos, como se identificar com José Serra, Alckmin, Temer, Sarney e tantos outros coronéis da nossa classe Política?

Queríamos muito que alguém do povo tivesse força política pra estar lá. Nos representar. Alguém que tivesse histórico de luta social. Bom, depois disso todos sabem o que aconteceu...
Alguém do povo, semi analfabeto, nordestino, pobre ocupou aquele lugar. O LUGAR.

Vocês lembram como foi a posse do Ex-presidente, o Sr. Luiz Inácio?
Eu lembro.

Me marcou de verdade. Marcou por que me senti representada.
Você também?
Você teve esperanças?
Você achou que o cenário político ia mudar?
Você se viu ali?
Você achou que era o momento da virada?

Então...

Foi aí que acho que começou a dar errado.

Lembro que em frente ao Palácio da Alvorada uma multidão invadiu o Espelho D'água. Militantes. CUT. MST. Central sindical. Estudantes. Funcionários públicos. Servidores do Palácio. Pessoas comuns e sem filiações partidárias. Crianças, jovens e velhos. Ficou lotado. Foi épico.

Foi aí que começou a dar errado!

Porque?

Porque nenhum homem poderia corresponder aquele nível de expectativa.
Ele era aclamado como herói.
Salvador da Pátria.
Ponto de virada de história do Brasil
Ele iria modificar a posição da classe mais pobre.
Ele iria tirar o pobre da posição de explorado.
Ele não iria privatizar nossas empresas estatais.
Ele iria criar programas sociais.
Ele iria olhar para o povo e pelo povo.
Os bordões, os adesivos, a campanha, as promessas. Tudo.

Ele estava lá. Tudo ia mudar.
Eu acreditei.

Foi aí que começou a dar errado.

Entendam. Hoje, de uma vez por todas.
Ele era político. Lidaria com políticos. Faria política, e hoje todos sabemos o que isso significa. Infelizmente.

Quebrou promessas. Privatizou. Não criou tanto quanto nos tenta fazer acreditar. Manteve mais do que inovou. Se misturou. Comeu farelo. Se afundou no farelo. E quem lhe deu farelo lhe enfiou a faca no pescoço. Faz parte. Política - BRASILEIRA!

O que concluí depois disso?

Políticos não são heróis.
Eles não podem falar ou fazer o que bem entendem. Seja pela forma como a democracia opera. Seja por puro e simples decoro, ética, educação e bom senso. Seja pelo apoio que tinha ou não tinha. E isso serve pro de ontem e pro de hoje. Eles acham que podem. Que devem.
E, quer saber do pior. Nós lhe demos esse poder e essa certeza.

Não tenha político de estimação.
O mito de ontem está preso.
O de hoje é vazio.

Seja brasileiro acima de partidos, ídolos, mitos, políticos e todos que se assemelham.

Por favor. Não errem novamente.

politics obama GIF

terça-feira, 19 de junho de 2018

Sim, a feminista virou princesa...

Demorei pra postar este texto, que estava pronto e eu nunca que finalizava. Porém, ontem saiu a seguinte notícia  - sobre o primeiro casamento gay de membro da família real, e com isso relembrei que o casamento de Harry e Megan foi bem mais que só um casamento real. Ah... e #HarryEMeghan completaram seu primeiro mês de casados. Bodas de que?

Membro da corte de Betinha - primo, casará com alguém do mesmo sexo. Imaginou o que isso significa? Foi recado, que pode ser populista, sobre evolução de pensamento de uma sociedade tradicional, que errou muito, muito, eu ouvi Lady Di, mas está, a passo tímidos, chegando ao século 21.

Quando formos falar sobre o casamento, seja do Harry e Meghan, seja do Lord de Mountbatten - o primo, devemos pensar que ambos significam algo, ou muitos algos, com relação a forma como a monarquia está vivendo e por consequência influenciando a sociedade inglesa e o mundo.

royal wedding GIF by BBC

O Príncipe casou com a plebéia americana.
Sim, o Duque de Sussex a fez duquesa de Sussex.
A ativista/atriz casou.
A feminista virou princesa.
Acontece, né?

É?

Sim, sobre a parte do feminismo, me cabe dizer que partir do momento de ela escolheu casar com o príncipe ou qualquer um, ela está sendo só feminista mesmo.

Feminismo é luta por direito de escolha. É luta pela liberdade de ser, ir e vir, estar, permanecer, resistir, mandar em suas vontades e no próprio corpo. É luta por igualdade de direitos - e deveres, e desta forma, ela, assim como ele tem direito de escolher ser princesa, duquesa, atriz, ativista, ou não.

Exercendo essa liberdade, Meghan, escolheu dizer sim e virar duquesa, princesa e no caso  de morrerem o Princípe Charles, Príncipe William, Príncipe George (filho do William), Princesa Charlotte (filha do William) ou abdicação de qualquer um desses, Rainha consorte.

Entendam ainda, que a Rainha Elizabeth, somente é monarca hoje, porque no passado, seu Tio, abdicou do trono por amor a uma mulher divorciada e diante da impossibilidade de casar-se com ela, pelas regras da Monarquia, o trono foi assumido pelo Pai de Betinha.

Diz-se ainda que a Princesa Margaret, irmã da Rainha, apaixonou-se por um homem, até então casado, e por conta disso não pode casar com ele. Segundo a lenda, ela viveu infeliz o resto de sua vida, de forma boêmia, pouco responsável e ligada as tradições reais.

Porém agora, aceita-se coisas que antes, em público, seriam impensáveis.

Não vou entrar no mérito da relação de Diana com Charles. Pois há enredo para outro tipo de post e a corte dos Windsor não sairiam tão bem na foto.

Mas depois de tudo que aconteceu com família real desde então, ou seja, desde a virada do século XX, os últimos passos foram bastante significativos, seja, aceitar divórcios - Charles e aquelazinha, divórcio, princesa do povo, amante, agora aceita divorciada, afrodescendente, do povo, atriz, americana...sacou?

Sim, ha um século atrás isso seria inconcebível.

Pra mim, mera mortal, esses casamentos representam a renovação política e social da monarquia inglesa. Daqui há 20 anos entenderemos o significado destes casamentos de forma mais profunda. Se eles se mantiverem casados é claro.

Isto porque, eles serão a toda a corte Inglesa, e serão quem definirão costumes e imaginário coletivo da monarquia mais tradicional e popular - nem sempre de forma positiva, do mundo.

Ah...mas existe a parte fantasia da história, que fez pessoas acordarem cedo para assistir a cerimônia de casamento que foi transmitida em telões por toda Londres, e em aqui pela terras tupiniquins houve canal que escalou time de comentaristas para a referida transmissão.

Entendeu?

Não é só conto de fadas. Não é só ato político. É Tudo isso e um pouco mais. Ensinem isso pras suas meninas - suas crianças. Porque caso contrário elas somente verão o conto de fadas.

excited royal wedding GIF by BBC

terça-feira, 12 de junho de 2018

Independência

Depois que passei a morar sozinha, com um milhão de planos de decoração e formas de viver na cabeça, comecei a pensar o porque sair da casa de meus pais era importante para mim.

Sempre foi. Era sonho. Meta. Razão de tristeza. Sessões de terapia. Argumento para briga com minha Mãe. Desabafo com amigo. Sensação de fracasso...

wizard of oz shoes GIF

Só sabia mesmo que ter meu canto, meu espaço, fosse como fosse, era importante pra mim. Lembrei, mais como lampejo de sentimentos do que de memórias, que era assim desde criança.

Independente. Livre. Só.

Não entendam nenhuma dessas características como algo ruim. Elas podem ser, mas nem sempre.

Alguns vão justificar tanto da minha personalidade, independente, criativa, mutante, livre no meu signo - Aquário. Eu acho que sim, pode ser, mas também pode ser o montão de coisas a mais que isso que forma esse ser estranho que sou. Minha história é muito mais do que o lugar que o sol ocupava no cosmo quando fui retirada do útero de minha Mãe.

Lembro que desde criança gostava de ficar só. A solidão nunca me deu medo, sempre me acolheu como que magia pra me reencontrar. Ali, na solidão, não tinha confronto, necessidade de defesa, ou de ataque, desconforto, ou qualquer situação que me abalava, e sim, por ser sensível, só as sentia.

Era fácil me achar em cima de uma árvore, atrás de algum móvel, avisando pra minha mãe que ia fugir de casa, ou na casa mais silenciosa do quintal - a da minha Tia Amélia, ou estar ao lado do meu tio que enquanto trabalhava e não falávamos nada.

Por razões simples, escolhia a árvore para, além de me esconder, observar sem ser observada. Gênia. Rexpeita.

Uma vez lembro que minha Mãe, escolheu mudar a arrumação da sala de estar da nossa casa, ela mudava sempre, e colocou o sofá numa diagonal que deixava um vão atrás em formato de triângulo, perfeito para que eu coubesse. Era magra - estilo desnutrida, então cabia em qualquer lugar.

Bom, ali foi meu esconderijo, refúgio, casa, quartel general, residência, quarto, sala, cozinha...tinha comida, bebida, cadernos, livros, meias, canetas, tesoura, cola, travesseiro, edredom. Bem, eu era equipada e prevenida.

Ela mudou de novo a disposição dos móveis de lugar e eu tive que voltar pras árvores.

Lembrando sobre como me comportava na infância entendo o porque de algumas decisões da minha vida adulta.

Tive uma infância com mais alegrias que traumas, mais positivo que negativo, muito amor, muita superação, muita prova de força, muito aprendizado, muito entendimento de mundo, muitos mundos e isso me fez o que sou hoje.

Mais que signo, foi a vivência de uma infância plena, onde minha Mãe permitia que eu fosse eu mesma, que tivesse meus momentos, ou que tivesse a necessidade sem julgamento desses momentos.

Ela mesma podia nem entender. mas jamais sabotou minha necessidade de silêncio e solidão. Ela me proporcionou uma infância que me valorizava, me levava às minhas raízes, pra entender que minha liberdade deve ser minha meta. Meu jeito de viver deve ser de acordo com meu coração e minhas escolhas me fazem e colocam no mundo, com ser responsável pelo que tenho, agrego e cativo e principalmente o tanto que evoluo.

temple football owl GIF by Temple Owls

Eu já disse que tenho sorte de ter a Maluca? Pois eu tenho. Só não contem pra ela, porque senão, fica muito besta.

Uma vez, um amigo me disse que eu era independente e isso acabava por assustar homens minimamente inseguros ou que não sabiam como penetrar neste sofá atrás do qual me refugio, ou me escondo, dependendo da ocasião.

Respondi que como poderia eu ser independente se há época ainda comia da comida de papai? Se não pagava minha conta de luz e meu cartão batia no limite por conta de sapatos? E se caso fosse a razão, bom, não iria mudar pra alguém me aceitar, né não?

Ele disse que minha independência não precisava ser financeira, se, eu vivia de forma independente.
Tomava minha decisões, sem que qualquer pessoa se achasse no direito de guiar ou sem que julgamentos me atingissem. Não temia as responsabilidades que assumia - eu temia, temo, mas disfarço bem e ele não percebeu - rs. A conta de luz não entrava nesta conta. Não diminuía minha forma independente de viver.

Gostei da explicação dele, apesar de discordar do por que ele pensou isso, e fiquei mais lisonjeada com a visão que ele tinha de mim, que decepcionada com a leva de boys que temos no mercado.

E vocês, são passarinhos ou ainda não descobriram vossas asas?

bird flying GIF

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