terça-feira, 12 de junho de 2018

Independência

Depois que passei a morar sozinha, com um milhão de planos de decoração e formas de viver na cabeça, comecei a pensar o porque sair da casa de meus pais era importante para mim.

Sempre foi. Era sonho. Meta. Razão de tristeza. Sessões de terapia. Argumento para briga com minha Mãe. Desabafo com amigo. Sensação de fracasso...

wizard of oz shoes GIF

Só sabia mesmo que ter meu canto, meu espaço, fosse como fosse, era importante pra mim. Lembrei, mais como lampejo de sentimentos do que de memórias, que era assim desde criança.

Independente. Livre. Só.

Não entendam nenhuma dessas características como algo ruim. Elas podem ser, mas nem sempre.

Alguns vão justificar tanto da minha personalidade, independente, criativa, mutante, livre no meu signo - Aquário. Eu acho que sim, pode ser, mas também pode ser o montão de coisas a mais que isso que forma esse ser estranho que sou. Minha história é muito mais do que o lugar que o sol ocupava no cosmo quando fui retirada do útero de minha Mãe.

Lembro que desde criança gostava de ficar só. A solidão nunca me deu medo, sempre me acolheu como que magia pra me reencontrar. Ali, na solidão, não tinha confronto, necessidade de defesa, ou de ataque, desconforto, ou qualquer situação que me abalava, e sim, por ser sensível, só as sentia.

Era fácil me achar em cima de uma árvore, atrás de algum móvel, avisando pra minha mãe que ia fugir de casa, ou na casa mais silenciosa do quintal - a da minha Tia Amélia, ou estar ao lado do meu tio que enquanto trabalhava e não falávamos nada.

Por razões simples, escolhia a árvore para, além de me esconder, observar sem ser observada. Gênia. Rexpeita.

Uma vez lembro que minha Mãe, escolheu mudar a arrumação da sala de estar da nossa casa, ela mudava sempre, e colocou o sofá numa diagonal que deixava um vão atrás em formato de triângulo, perfeito para que eu coubesse. Era magra - estilo desnutrida, então cabia em qualquer lugar.

Bom, ali foi meu esconderijo, refúgio, casa, quartel general, residência, quarto, sala, cozinha...tinha comida, bebida, cadernos, livros, meias, canetas, tesoura, cola, travesseiro, edredom. Bem, eu era equipada e prevenida.

Ela mudou de novo a disposição dos móveis de lugar e eu tive que voltar pras árvores.

Lembrando sobre como me comportava na infância entendo o porque de algumas decisões da minha vida adulta.

Tive uma infância com mais alegrias que traumas, mais positivo que negativo, muito amor, muita superação, muita prova de força, muito aprendizado, muito entendimento de mundo, muitos mundos e isso me fez o que sou hoje.

Mais que signo, foi a vivência de uma infância plena, onde minha Mãe permitia que eu fosse eu mesma, que tivesse meus momentos, ou que tivesse a necessidade sem julgamento desses momentos.

Ela mesma podia nem entender. mas jamais sabotou minha necessidade de silêncio e solidão. Ela me proporcionou uma infância que me valorizava, me levava às minhas raízes, pra entender que minha liberdade deve ser minha meta. Meu jeito de viver deve ser de acordo com meu coração e minhas escolhas me fazem e colocam no mundo, com ser responsável pelo que tenho, agrego e cativo e principalmente o tanto que evoluo.

temple football owl GIF by Temple Owls

Eu já disse que tenho sorte de ter a Maluca? Pois eu tenho. Só não contem pra ela, porque senão, fica muito besta.

Uma vez, um amigo me disse que eu era independente e isso acabava por assustar homens minimamente inseguros ou que não sabiam como penetrar neste sofá atrás do qual me refugio, ou me escondo, dependendo da ocasião.

Respondi que como poderia eu ser independente se há época ainda comia da comida de papai? Se não pagava minha conta de luz e meu cartão batia no limite por conta de sapatos? E se caso fosse a razão, bom, não iria mudar pra alguém me aceitar, né não?

Ele disse que minha independência não precisava ser financeira, se, eu vivia de forma independente.
Tomava minha decisões, sem que qualquer pessoa se achasse no direito de guiar ou sem que julgamentos me atingissem. Não temia as responsabilidades que assumia - eu temia, temo, mas disfarço bem e ele não percebeu - rs. A conta de luz não entrava nesta conta. Não diminuía minha forma independente de viver.

Gostei da explicação dele, apesar de discordar do por que ele pensou isso, e fiquei mais lisonjeada com a visão que ele tinha de mim, que decepcionada com a leva de boys que temos no mercado.

E vocês, são passarinhos ou ainda não descobriram vossas asas?

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