
Ela pintou o cabelo de verde.
Sim, Ela, uma mulher da casa dos trinta anos. Pintou o cabelo de verde, porque após período presa à estereótipos, padrões e convenções sociais, aproveitou seu ano sabático, tendo em vista que, vivemos sim, num mundo onde a menina de cabelo colorido não é levada á sério em seu ambiente de trabalho. Não é contratada. não é cabelo formal. Seu trabalho e capacidade profissional é julgado pela cor de seu cabelo, pela roupa que veste ou qualquer algo externo que não representa nível de Q.I ou comprometimento profissional, pró-atividade, e pioneirismo.
Ela pintou o cabelo de verde.
Sim, e viviam perguntando a razão. Pois há de se ter uma razão, motivo, razão, circunstância, CPF, RG, com duas vias carimbadas e reconhecida firma por semelhança. A razão era bem simples e por esta razão profunda. Ela quis. Aproveitou o momento e se realizou.
Ela pintou o cabelo de verde.
Sim, ela aturou olhares e julgamentos. A disseram que era muito infantil. Que tinha passado da idade. Temos idade para cada cor de cabelo, não sabia? Pois temos. Idade, trabalho, família e razão social, pelo visto.
Ela pintou o cabelo de verde.
Sim, ela. Não eu, Nem você. Por isso não te interessa nem lhe cabe. Mas poderia ser. Não forçaram. Não foi marido dela. Eu não precisei autorizar. Não precisei nem concordar. O marido dela não teve que deixar. Ela não esperava aprovação ou desaprovação. Ela só queria mesmo o cabelo da sua cor favorita.
Ela pintou o cabelo de verde.
Sim, porque o castanho não lhe satisfazia no momento. Por que combinava com seus olhos. Porque ela quis. Porque naquele momento era como ela queria se ver e ser vista. Era, sem querer, a mensagem que queria passar. Era sua reação. Sua ação. Seu modo de se posicionar. Seu modo de ser livre.
Seu jeito de viver.
Ela pintou o cabelo de verde.
E quando ela quiser, ela despinta. Deixa branco, fica castanha. Loira até. Preto quem sabe. Ruiva já foi. Porque quando ela pinta o cabelo de verde ela se afirma e isso não há quem tire dela.
Ela pintou o cabelo de verde.
Porque não tinha medo de mostrar quem ela era.

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