terça-feira, 15 de setembro de 2020

Escalada

Como faz pra se deixar amar de novo?
Como faz pro coração entender que outra pessoa pode ocupar?
Mesmo que ele, agora, esteja vazio.
Sabe quando você foi muito amada, viveu intensamente momentos bons ao lado de uma pessoa, aquele amor que fazia você se sentir preenchida?
O amor que lhe declamava e sentia era palpável, quente, tinha cheiro, gosto.
E a gente passa a não aceitar menos.
Menos amor?
Eu sei o que é amor. Eu sei amar. Eu sei ser amada.
Sabia.

Eu fui no topo do que há pra ir.
Eu fui ao Chuí e ao novo extremo norte do país.
Eu estive no Everest, escalei os Alpes.
Eu senti o ar rarefeito, escalei com peso nas costas.
Às vezes tinha mantimento e quando não tinha, não sentia falta.
Estava repleta, completa.

Eu olhei o mundo de cima.
Eu vi gente congelar no caminho.
Eu senti o calor da chegada, mas também senti o frio do fim.
E se escalar não for do mesmo jeito?
E se o ar não faltar?
E se o coração não estiver cheio?
E se for pouco?
Se não foi o suficiente?
Se escalada machucar?
E se eu não chegar no topo de novo?

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