terça-feira, 19 de setembro de 2017

Não "mexa" com ninguém!

Ao longo da minha vidinha, já sofri alguns tipos de assédio, alguns me marcaram e outros nem tanto. Mas vou falar desse em particular, tendo em vista que fica visual, didático, fácil de falar, não mexerá com traumas do passado e porque acabei de pegar o ônibus com o assediador.

Quando me referi a assédio aqui, digo levando em conta não só os tipos de assédio sexual previstos ou não no Código Penal Brasileiro. Mas sim aqueles de dia-a-dia que nos impõe medo e repulsa.

Há um tempo atrás, um Senhor mexeu comigo (eufemismo para assédio em via pública com utilização de palavras chulas e eróticas). Esse Senhor é pai de um guri com quem convivi durante minha infância. Ou seja, o pai do meu amiguinho de infância estava me assediando. Olhei pra ele. Ofendida e indignada. Mas olhei bem. Queria que ele decorasse meu rosto e lembrasse de mim em outro momento.
Não sei como assediadores funcionam, não sei se lembram das suas "vítimas". Acho que não. É por isso queria que ele lembrasse de mim.

Em outro momento o encontrei junto com seu filho. Fiz questão de falar com o filho e olhar bem nos olhos do pai e desejar bom dia. Ele lembrou de mim. Desviou o olhar e abaixou a cabeça. Não me lembro se me respondeu. Acho que o filho nem percebeu. Segui meu caminho.

Assediador tem um que de covarde. Porque aos olhos da sociedade que, ainda acha que eu provoco e gosto, ele é homem "de bem", "pai de família", casado, dois filhos e inclusive uma menina. Será que endossa assédio com sua filha? Hum...acho que não.

Mas hoje de manhã, me veio esta reflexão, porque agora ele ainda tem uma neta. Então ele teve mãe, porque não é filho de chocadeira, pode ter irmãs, filha e neta. Tipo o cara que não é racista por conviver com negros. "Não sou assediador, porque convivo com mulheres." O que ele sentiria se falassem pra sua filha, sua netinha o que ele falou pra mim?

Queridos (as), não assediem. Tá na dúvida se "mexer" com a mina é assédio então é.
Não faça. É!

Se coloquem no lugar de quem recebe. Você não sabe o que aquilo provocará na pessoa. Você acha que ela vai ficar lisonjeada. Não vai.

Não tenho uma amiga que me diga que achou o máximo o cara chamá-la de "gostosa", "que buc%amp;#$*", "qq isso hein?"...isso é momento de pânico, porque projetamos que o cara vai evoluir disse pra coisa pior.

Fomos doutrinadas a ignorar e ainda assim os caras continuam fazendo. Homens, nós ignoramos porque nossa mãe nos ensinou que corremos o risco de vocês fazerem algo pior e físico com a gente. Ou mesmo diante de algo negativo em resposta vocês imaginarem que estamos "dando confiança". Entenderam?

Nossa mãe, que também sofreu e sofre esse tipo de assédio, sabia que não podia dar confiança, simplesmente porque não é bom ou sadio. Ah, entendam que aqui estou tratando do que é. E não das exceções e situações jocosas de brincadeira. Estou falando de assédio. Que eu sofri, sofro, independente da roupa que estou usando e de como me porto e que suas filhas vão sofrer por conta desse pensamento.

Coloquem-se em nosso lugar e entendam que vocês não precisam "mexer" com ninguém. Pessoas vão e pessoas vem. E você não deve nem pode intervir no seu direito e ir e vir de forma segura e sem importunações.

Um comentário:

  1. Simples assim: nao "mexe" com ninguem.. todas nós mulheres fomos sim "doutrinadas a ignorar". Otimo texto.. e lamentavel ao mesmo tempo. Deixe-nos ir e vir em paz.. isso ai..

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