Não sei se todos sabem, mas sou CACHEADA!
Pronto, agora já sabem...;)
Então hoje, vou falar dos meus amados cachinhos e de como foi aprender a amá-los, tipo, como em qualquer relacionamento, tendo em vista que a gente briga, faz as pazes, ele tenta ser livre eu tendo domar, fico insegura de mexer no que está bom e sempre que mexo melhora...rs
Nunca fui bitoladamente vaidosa, pelo contrário, sempre fui muito moleca, então maquiagem, estética, e layout não eram minhas prioridades.
Porém, vamos crescendo, amadurecendo e a vida nos vai cobrando postura que devemos tomar para nos sentirmos melhor e por fim quando aprendemos a nos amar, amar nossa aparência, o que temos e o que somos, fica mais fácil assumir nossa beleza real.
A título de contextualização histórica: sempre fui a menor e mais magra da minha turma. Eu era também a que tinha o nome diferente, e para completar meu cabelo, definitivamente, não se encaixava nos padrões e nos devaneios das brasileiras.
Ou seja, minha infância não foi das mais fáceis. Ou melhor, fiz a infância das crianças a minha volta bem difícil. Sim, eu praticava bullying, quando ainda não tinha este nome phyno, mas praticava. Ora, eu tinha que me defender e o ataque sempre se mostrou a melhor defesa. Desta maneira, colocava os amiguinhos na berlinda antes de me colocarem. Esperta? Sim. Mas era ruim para os outros e não me orgulho de ter feito. Somente entendo as razão e motivações, mas não me orgulho.
Conforme ia crescendo, nem sei quantas vezes ouvi dizer que:
-meu cabelo não era bonito;
-não era padrão;
-poderia alisar;
-não tinha jeito;
-não tinha penteado;
-corta bem curtinho para não dar trabalho;
-deixa crescer para ter “peso”;
-hidrata;
-passa creme;
-faz hidratação;
-faz relaxamento;
-não tem jeito;
-nossa, ele é cheio;
-deixa solto;
-melhor prender;
-nossa,
-você de escova deve ficar linda;
-estica pra ver o tamanho dele de verdade;
-seu cabelo é ruim;
-ih, ela é pixaim;
-cabelo cacheado dá trabalho;
-tem que acordar cedo pra secar;
-se cortar a pontinha vai parar no ombro....
Que cacheada nunca ouvir qualquer destas frases uma vez na vida?
Bem, eu as ouvi minha vida toda e ainda as ouço! Doía a maioria das vezes. Hoje, com minhas certezas e paixão pelas minhas escolhas, somente as ouço e dependendo da pessoa tente fazê-la entender o quão preconceituosa ela está sendo, para outras informo que amo meu cabelo e sei cuidar dele, algumas ainda nem mesmo respondo.
Ser diferente não é fácil. Ainda mais na infância e adolescência. Enfim, definitivamente, aceitar meu cabelo da forma que ele é não foi fácil.
Daí descobri que o “diferente” não é diferente, ou melhor, ser diferente é o meu natural. De fato, não nasci para ser padrão, não sei ser igual. Aprendi a amar meu cabelo. Aprendi a amar meus cachos e ser eu mesma. Ser a Sinara, aquela do cabelo cacheado.
Tive um boyzinho que não durou muito, mas sem saber, uma frase falada por ela me marcou. Após eu dizer que não aguentava mais o fato do meu cabelo não ficar como eu queria, ou seja, algo que se encaixasse no padrão, ele me disse a frase mais linda que já disseram sobre meu cabelo: “- Se você alisar, vai perder sua essência.” Noh, não é o que o seromano estava absolutamente certo. Entendi alie, com alguém de fora jogando na minha cara, que alisar não servia para mim, não é quem sou, não me faria feliz e ser cacheada é minha essência.
Bem, daí o destino colocou no meu caminho um anjo. Anjo do tipo cuida de cabelo! Eu a chamava de Estrela e ela me ensinou a amar e cuidar dos meus cachinhos! Não sei se alguém aqui já viu alguma vez o programa da Angélica onde ela apresentava a Estrela das Estrelas, quadro onde os artistas falavam sobre as pessoas que os ajudaram em suas carreiras.
Considerando que nosso cabelo é a moldura do nosso rosto e isso interfere diretamente na nossa autoestima, após me ensinar a cuidar do meu cabelo e, consequentemente, diante da tregua e entendimento entre nós amá-lo e valorizá-lo, ela simplesmente virou minha ESTRELA!!
A Cris fez um milagre em mim e sempre serei grata a ela por isso! Por sorte, sempre lhe disse tudo que estou escrevendo aqui e quando ela de fato se transformou em estrela, ela foi sabendo que fez a diferença na minha vida.
Além disso, ao longo da minha vida, minha mãe sempre deixou meu cabelo livre, nunca me forçou a fazer nada no cabelo, e só não me deixava cortar, para que eu pudesse usá-lo com maior leque de possibilidades e com a maturidade, percebi que ser a menina do cabelo cacheado é ser a filha da Zezé, neta da Carmê, tem ancestralidade, tem história, tem resistência e tem as marcas delas na minha vida.
O que queria dizer na verdade, além da merecida homenagem pra minha Estrela Cris Roza, é que independente de como é seu cabelo, liso, alisado, cacheado, não importa, você tem que se dar bem com ele. Não dá pra vencer o seu cabelo, ele sempre vai acordar como ele quiser. Você terá que se entender com ele uma hora ou outra, caso contrário nunca se achará bonita e sua autoestima vai pro beleléu!



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