Queria ter educação financeira, pensar no futuro com calma e planejamento. Organizar dinheiro e não ter urgência de tudo.
Queria ter a paz de não cuidar de tudo, talvez não ser a mais velha mesmo não sendo, até nisso nós parecemos. Ele não era o filho, de nascimento, mais velho. Mas ele assumiu esse manto/fardo e seguiu a vida com tudo que isso representava e pesava.
Queria ter a calma da vida, não ser tão ansiosa, premente e urgente, entender profundamente o tempo das coisas e olhar tudo com mais leveza.
Queria não ter medo, pq não temo, cuido, vigio, penso, repenso, vivo, sinto e organizo, nao só por mim, mas pelo meus, assim como ele.
Queria ser menos prática, mais romântica, afável, sutil e não furacão em forma e fôrma.
Queria ser leve, mas como ser leve, se como Adelson e Clarice carrego o peso do mundo e entendi isso desde muito cedo.
Queria a paz da irresponsabilidade e individualismo, mas a exigência coletiva e familiar se impõe. Não sou feliz sem os meus felizes e seguros, mesmo que eu não esteja exatamente e necessariamente contemplada.
Queria ser a de voz mansa, fala doce, mas sou a brava que rosna, e isso é a voz viva do meu pai que ainda brada em mim.
Queria não ser tão filha do meu pai.
Queria não ser tão filha do meu pai?
Jamais serei. Talvez não queira. Estou entendendo, inclusive enquanto escrevo esse texto, o que sou, quem me compõe e cada osso que me forja, força, sustenta e ergue. Cada célula de personalidade que por DNA ou convivência me fez filha dele e filha da Maruzé também o que me transborda de complexidade, pq jamais existirão pessoas mais diferentes.
Queria e quero tanta coisa da vida.
Mas com certeza não queria, não poderia e jamais seria menos filha do meu pai.
P.s: e o título é pq ele foi o maior fã que Celine já teve.