quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Ser forte pra ser fraca

Quem colocou na nossa cabeça que temos que sermos fortes o tempo todo? Quem disse que se deixar levar e viver por seus sentimentos e seguir o coração é sinal de fraqueza? Quem disse que demonstrar amor e paixão é sinal de inferioridade?

Não sei quem foi. Não sei se é assim com as outras pessoas. Não sei se foi algo dito. Se está gravado nas almas das pessoas que tem medo profundo de se perder. Mas é assim comigo. Prendo meus sentimentos. Não sei nem falar sobre eles. Sintetizo para entender e me nego a perceber. Nego até a morte. Coloco regras, negativas, barreiras, empecilhos, faço lista pra ignorar, e tudo mais que possa desviar minha atenção deles.

Desvio com pessoas, lugares, sabores, bolo um plano pra fugir de algo que claramente já me prendeu, como se eles não existissem. Às vezes me saio bem, as vezes eles me sufocam. Ás vezes os soterro. Ás vezes eles me enterram. Não orgulhosamente, digo que até já fugi e deixei de vive-los, por medo.

Aprendi que tenho que ser forte o tempo todo. Não posso demonstrar fraqueza. E que sentimentos por outras pessoas significam conceder pedaço de mim. Abrir mão de mim pra outro. E não sei fazer isso, não quero, me amedronta, mais do que escuro, mais do que bicho peçonhento. Deixar me perder no abraço de alguém. Deixar-me amolecer. Deixar levar. Deixar de ser. E ser de alguém. Perder o controle para minhas emoções.

Sei que a ideia do controle é uma ilusão. Mas tanto em nós o é.

Quando falo sentimentos me refiro a amor romântico, paixão que tira o ar e te permite fazer coisas que jamais imaginou. Porque aos meus amigos e famíla já me perdi faz tempo.

Alguns dizem que amor nos fortalece, mas pela minha experiência é fortalecimento parcial, porque nos fragiliza ao olhar alheio. Meu olhar não me assusta. Mas o olhar alheio me arrepia. Amar, se apaixonar, permitir que cheguem perto é deixar que alguém carregue pedaço de você. E...se esse alguém se for de vez. Como faz? Leva teu pedaço, ás vezes um bom pedaço. E você fica como sem esse pedaço?

Escolher se deixar levar pelos sentimentos, amor e paixão, e deixar pessoas nos conhecerem e entrarem na nossa vida. Ás vezes temos medo do que elas verão quando estiverem mais de perto. Ás vezes não estamos tão seguros dos nossos Eus para deixa-los se perder. O medo de não saber voltar a si é aterrador.

Mas e se não tiver volta?
Se aquele lugar for o melhor lugar pra estar?
Se não for fraqueza em si e fortalecimento de si próprio?
Se os sentimentos nos moldarem e fortalecerem, o tanto que nos amolecem?
E se ser forte é saber ser fraco?
É saber ser forte mesmo quando algo nos torna vulneráveis, desatentos, apaixonados por alguém e nos descobrirmos apaixonados por nós mesmos, mas também aquele que o outro vê e inclusive ama.

Eu sei, fiz um bando de perguntas e não tenho resposta pra nenhuma delas. Mas é isso ae...quem de fato as tem?

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Começo do fim...

Deixa eu contar uma história pra vocês.

Há alguns anos atrás, a política, ou melhor, a forma como nós víamos e como era feita a política nacional era bem diferente

E eu não estou falando da ditadura que durou 21 anos e deixou marcas muito intensas na estrutura social e na classe política brasileira. Estou falando sobre representatividade. 

Como assim?

Era sobre o se ver no papel de protagonista da política. O sentimento de alguém realmente do povo ocupando um lugar onde conseguíamos nos enxergar. Enxergar a parcela nordestina, a parcela de origem pobre que não se via representada pelos políticos ditatoriais ou pós ditadura.

Isso porque, venhamos e convenhamos, como se identificar com José Serra, Alckmin, Temer, Sarney e tantos outros coronéis da nossa classe Política?

Queríamos muito que alguém do povo tivesse força política pra estar lá. Nos representar. Alguém que tivesse histórico de luta social. Bom, depois disso todos sabem o que aconteceu...
Alguém do povo, semi analfabeto, nordestino, pobre ocupou aquele lugar. O LUGAR.

Vocês lembram como foi a posse do Ex-presidente, o Sr. Luiz Inácio?
Eu lembro.

Me marcou de verdade. Marcou por que me senti representada.
Você também?
Você teve esperanças?
Você achou que o cenário político ia mudar?
Você se viu ali?
Você achou que era o momento da virada?

Então...

Foi aí que acho que começou a dar errado.

Lembro que em frente ao Palácio da Alvorada uma multidão invadiu o Espelho D'água. Militantes. CUT. MST. Central sindical. Estudantes. Funcionários públicos. Servidores do Palácio. Pessoas comuns e sem filiações partidárias. Crianças, jovens e velhos. Ficou lotado. Foi épico.

Foi aí que começou a dar errado!

Porque?

Porque nenhum homem poderia corresponder aquele nível de expectativa.
Ele era aclamado como herói.
Salvador da Pátria.
Ponto de virada de história do Brasil
Ele iria modificar a posição da classe mais pobre.
Ele iria tirar o pobre da posição de explorado.
Ele não iria privatizar nossas empresas estatais.
Ele iria criar programas sociais.
Ele iria olhar para o povo e pelo povo.
Os bordões, os adesivos, a campanha, as promessas. Tudo.

Ele estava lá. Tudo ia mudar.
Eu acreditei.

Foi aí que começou a dar errado.

Entendam. Hoje, de uma vez por todas.
Ele era político. Lidaria com políticos. Faria política, e hoje todos sabemos o que isso significa. Infelizmente.

Quebrou promessas. Privatizou. Não criou tanto quanto nos tenta fazer acreditar. Manteve mais do que inovou. Se misturou. Comeu farelo. Se afundou no farelo. E quem lhe deu farelo lhe enfiou a faca no pescoço. Faz parte. Política - BRASILEIRA!

O que concluí depois disso?

Políticos não são heróis.
Eles não podem falar ou fazer o que bem entendem. Seja pela forma como a democracia opera. Seja por puro e simples decoro, ética, educação e bom senso. Seja pelo apoio que tinha ou não tinha. E isso serve pro de ontem e pro de hoje. Eles acham que podem. Que devem.
E, quer saber do pior. Nós lhe demos esse poder e essa certeza.

Não tenha político de estimação.
O mito de ontem está preso.
O de hoje é vazio.

Seja brasileiro acima de partidos, ídolos, mitos, políticos e todos que se assemelham.

Por favor. Não errem novamente.

politics obama GIF

terça-feira, 19 de junho de 2018

Sim, a feminista virou princesa...

Demorei pra postar este texto, que estava pronto e eu nunca que finalizava. Porém, ontem saiu a seguinte notícia  - sobre o primeiro casamento gay de membro da família real, e com isso relembrei que o casamento de Harry e Megan foi bem mais que só um casamento real. Ah... e #HarryEMeghan completaram seu primeiro mês de casados. Bodas de que?

Membro da corte de Betinha - primo, casará com alguém do mesmo sexo. Imaginou o que isso significa? Foi recado, que pode ser populista, sobre evolução de pensamento de uma sociedade tradicional, que errou muito, muito, eu ouvi Lady Di, mas está, a passo tímidos, chegando ao século 21.

Quando formos falar sobre o casamento, seja do Harry e Meghan, seja do Lord de Mountbatten - o primo, devemos pensar que ambos significam algo, ou muitos algos, com relação a forma como a monarquia está vivendo e por consequência influenciando a sociedade inglesa e o mundo.

royal wedding GIF by BBC

O Príncipe casou com a plebéia americana.
Sim, o Duque de Sussex a fez duquesa de Sussex.
A ativista/atriz casou.
A feminista virou princesa.
Acontece, né?

É?

Sim, sobre a parte do feminismo, me cabe dizer que partir do momento de ela escolheu casar com o príncipe ou qualquer um, ela está sendo só feminista mesmo.

Feminismo é luta por direito de escolha. É luta pela liberdade de ser, ir e vir, estar, permanecer, resistir, mandar em suas vontades e no próprio corpo. É luta por igualdade de direitos - e deveres, e desta forma, ela, assim como ele tem direito de escolher ser princesa, duquesa, atriz, ativista, ou não.

Exercendo essa liberdade, Meghan, escolheu dizer sim e virar duquesa, princesa e no caso  de morrerem o Princípe Charles, Príncipe William, Príncipe George (filho do William), Princesa Charlotte (filha do William) ou abdicação de qualquer um desses, Rainha consorte.

Entendam ainda, que a Rainha Elizabeth, somente é monarca hoje, porque no passado, seu Tio, abdicou do trono por amor a uma mulher divorciada e diante da impossibilidade de casar-se com ela, pelas regras da Monarquia, o trono foi assumido pelo Pai de Betinha.

Diz-se ainda que a Princesa Margaret, irmã da Rainha, apaixonou-se por um homem, até então casado, e por conta disso não pode casar com ele. Segundo a lenda, ela viveu infeliz o resto de sua vida, de forma boêmia, pouco responsável e ligada as tradições reais.

Porém agora, aceita-se coisas que antes, em público, seriam impensáveis.

Não vou entrar no mérito da relação de Diana com Charles. Pois há enredo para outro tipo de post e a corte dos Windsor não sairiam tão bem na foto.

Mas depois de tudo que aconteceu com família real desde então, ou seja, desde a virada do século XX, os últimos passos foram bastante significativos, seja, aceitar divórcios - Charles e aquelazinha, divórcio, princesa do povo, amante, agora aceita divorciada, afrodescendente, do povo, atriz, americana...sacou?

Sim, ha um século atrás isso seria inconcebível.

Pra mim, mera mortal, esses casamentos representam a renovação política e social da monarquia inglesa. Daqui há 20 anos entenderemos o significado destes casamentos de forma mais profunda. Se eles se mantiverem casados é claro.

Isto porque, eles serão a toda a corte Inglesa, e serão quem definirão costumes e imaginário coletivo da monarquia mais tradicional e popular - nem sempre de forma positiva, do mundo.

Ah...mas existe a parte fantasia da história, que fez pessoas acordarem cedo para assistir a cerimônia de casamento que foi transmitida em telões por toda Londres, e em aqui pela terras tupiniquins houve canal que escalou time de comentaristas para a referida transmissão.

Entendeu?

Não é só conto de fadas. Não é só ato político. É Tudo isso e um pouco mais. Ensinem isso pras suas meninas - suas crianças. Porque caso contrário elas somente verão o conto de fadas.

excited royal wedding GIF by BBC

terça-feira, 12 de junho de 2018

Independência

Depois que passei a morar sozinha, com um milhão de planos de decoração e formas de viver na cabeça, comecei a pensar o porque sair da casa de meus pais era importante para mim.

Sempre foi. Era sonho. Meta. Razão de tristeza. Sessões de terapia. Argumento para briga com minha Mãe. Desabafo com amigo. Sensação de fracasso...

wizard of oz shoes GIF

Só sabia mesmo que ter meu canto, meu espaço, fosse como fosse, era importante pra mim. Lembrei, mais como lampejo de sentimentos do que de memórias, que era assim desde criança.

Independente. Livre. Só.

Não entendam nenhuma dessas características como algo ruim. Elas podem ser, mas nem sempre.

Alguns vão justificar tanto da minha personalidade, independente, criativa, mutante, livre no meu signo - Aquário. Eu acho que sim, pode ser, mas também pode ser o montão de coisas a mais que isso que forma esse ser estranho que sou. Minha história é muito mais do que o lugar que o sol ocupava no cosmo quando fui retirada do útero de minha Mãe.

Lembro que desde criança gostava de ficar só. A solidão nunca me deu medo, sempre me acolheu como que magia pra me reencontrar. Ali, na solidão, não tinha confronto, necessidade de defesa, ou de ataque, desconforto, ou qualquer situação que me abalava, e sim, por ser sensível, só as sentia.

Era fácil me achar em cima de uma árvore, atrás de algum móvel, avisando pra minha mãe que ia fugir de casa, ou na casa mais silenciosa do quintal - a da minha Tia Amélia, ou estar ao lado do meu tio que enquanto trabalhava e não falávamos nada.

Por razões simples, escolhia a árvore para, além de me esconder, observar sem ser observada. Gênia. Rexpeita.

Uma vez lembro que minha Mãe, escolheu mudar a arrumação da sala de estar da nossa casa, ela mudava sempre, e colocou o sofá numa diagonal que deixava um vão atrás em formato de triângulo, perfeito para que eu coubesse. Era magra - estilo desnutrida, então cabia em qualquer lugar.

Bom, ali foi meu esconderijo, refúgio, casa, quartel general, residência, quarto, sala, cozinha...tinha comida, bebida, cadernos, livros, meias, canetas, tesoura, cola, travesseiro, edredom. Bem, eu era equipada e prevenida.

Ela mudou de novo a disposição dos móveis de lugar e eu tive que voltar pras árvores.

Lembrando sobre como me comportava na infância entendo o porque de algumas decisões da minha vida adulta.

Tive uma infância com mais alegrias que traumas, mais positivo que negativo, muito amor, muita superação, muita prova de força, muito aprendizado, muito entendimento de mundo, muitos mundos e isso me fez o que sou hoje.

Mais que signo, foi a vivência de uma infância plena, onde minha Mãe permitia que eu fosse eu mesma, que tivesse meus momentos, ou que tivesse a necessidade sem julgamento desses momentos.

Ela mesma podia nem entender. mas jamais sabotou minha necessidade de silêncio e solidão. Ela me proporcionou uma infância que me valorizava, me levava às minhas raízes, pra entender que minha liberdade deve ser minha meta. Meu jeito de viver deve ser de acordo com meu coração e minhas escolhas me fazem e colocam no mundo, com ser responsável pelo que tenho, agrego e cativo e principalmente o tanto que evoluo.

temple football owl GIF by Temple Owls

Eu já disse que tenho sorte de ter a Maluca? Pois eu tenho. Só não contem pra ela, porque senão, fica muito besta.

Uma vez, um amigo me disse que eu era independente e isso acabava por assustar homens minimamente inseguros ou que não sabiam como penetrar neste sofá atrás do qual me refugio, ou me escondo, dependendo da ocasião.

Respondi que como poderia eu ser independente se há época ainda comia da comida de papai? Se não pagava minha conta de luz e meu cartão batia no limite por conta de sapatos? E se caso fosse a razão, bom, não iria mudar pra alguém me aceitar, né não?

Ele disse que minha independência não precisava ser financeira, se, eu vivia de forma independente.
Tomava minha decisões, sem que qualquer pessoa se achasse no direito de guiar ou sem que julgamentos me atingissem. Não temia as responsabilidades que assumia - eu temia, temo, mas disfarço bem e ele não percebeu - rs. A conta de luz não entrava nesta conta. Não diminuía minha forma independente de viver.

Gostei da explicação dele, apesar de discordar do por que ele pensou isso, e fiquei mais lisonjeada com a visão que ele tinha de mim, que decepcionada com a leva de boys que temos no mercado.

E vocês, são passarinhos ou ainda não descobriram vossas asas?

bird flying GIF

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Verde ou não ser

green hair art GIF

Ela pintou o cabelo de verde.

Sim, Ela, uma mulher da casa dos trinta anos. Pintou o cabelo de verde, porque após período presa à estereótipos, padrões e convenções sociais, aproveitou seu ano sabático, tendo em vista que, vivemos sim, num mundo onde a menina de cabelo colorido não é levada á sério em seu ambiente de trabalho. Não é contratada. não é cabelo formal. Seu trabalho e capacidade profissional é julgado pela cor de seu cabelo, pela roupa que veste ou qualquer algo externo que não representa nível de Q.I ou comprometimento profissional, pró-atividade, e pioneirismo.

Ela pintou o cabelo de verde.

Sim, e viviam perguntando a razão. Pois há de se ter uma razão, motivo, razão, circunstância, CPF, RG, com duas vias carimbadas e reconhecida firma por semelhança. A razão era bem simples e por esta razão profunda. Ela quis. Aproveitou o momento e se realizou.

Ela pintou o cabelo de verde.

Sim, ela aturou olhares e julgamentos. A disseram que era muito infantil. Que tinha passado da idade. Temos idade para cada cor de cabelo, não sabia? Pois temos. Idade, trabalho, família e razão social, pelo visto.

Ela pintou o cabelo de verde.

Sim, ela. Não eu, Nem você. Por isso não te interessa nem lhe cabe. Mas poderia ser. Não forçaram. Não foi marido dela. Eu não precisei autorizar. Não precisei nem concordar. O marido dela não teve que deixar. Ela não esperava aprovação ou desaprovação. Ela só queria mesmo o cabelo da sua cor favorita.

Ela pintou o cabelo de verde.

Sim, porque o castanho não lhe satisfazia no momento. Por que combinava com seus olhos. Porque ela quis. Porque naquele momento era como ela queria se ver e ser vista. Era, sem querer, a mensagem que queria passar. Era sua reação. Sua ação. Seu modo de se posicionar. Seu modo de ser livre.
Seu jeito de viver.

Ela pintou o cabelo de verde.

E quando ela quiser, ela despinta. Deixa branco, fica castanha. Loira até. Preto quem sabe. Ruiva já foi. Porque quando ela pinta o cabelo de verde ela se afirma e isso não há quem tire dela.

Ela pintou o cabelo de verde.

Porque não tinha medo de mostrar quem ela era.

green hair beauty GIF by Harmonie Aupetit

domingo, 1 de abril de 2018

"Palavras são sementes"


Minha mãe sempre me diz "palavras são sementes". Debocho e finjo que ela está viajando

Então o que ela sempre quis dizer com essa frase simples, Dumbledore (J. K. Rowling), também tentou ensinar para Harry "Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remediá-los."


O que eles queriam dizer?
Palavras tem FORÇA. Isso vai além do livro "o segredo" que minha Mãe e Dumbledore nunca leram. Vai na energia que você põe em algo que sai de você.

Então você já entendeu o poder que as palavras tem?

"Na língua portuguesa, uma palavra (do latim parábola, que por sua vez deriva do grego translit. parabolé) pode ser definida como sendo um conjunto de letras ou sons de uma língua, juntamente com a ideia associada a este conjunto. A função da palavra é representar partes do pensamento humano, e por isto ela constitui uma unidade da linguagem humana." Fonte Wikipédia

Meio de comunicar, se fazer entender, acalmar, agredir, marcar, acolher, profetizar, bem dizer, mal dizer, orar, xingar, expressar, confundir, esclarecer, agradecer...

Minha mãe tem horror à algumas palavras e não só câncer, a título de doença, mas de azar, desgraça, infeliz, peste, praga, e todas as palavras que trazem em si um único significado - negatividade. Ela não é propriamente supersticiosa, apesar de parecer o contrário, mas ela crê que coisas simples geram uma onda de poder e uma energia que atinge a você e quem você se dirige.

É bem simples, mas às vezes não damos conta, no cotidiano, do que de fato estamos fazendo e propagando sem darmos atenção a sua força e importância!

PALAVRAS!

Lembra do Suassuna falando sobre reportagem do Chimbinha? O vídeo está no Youtube de fácil acesso. Neste vídeo, Ariano Suassuna, poeta, escritor, gênio e tantas outras coisas, diz que fora utilizado o adjetivo "Genial": para descrever Chimbinha e sua música.

A observação óbvia feita por ele foi "Se gasto adjetivo genial com Chimbinha, o que vou falar de Beethoven?"

Imagina o Suassuna, homem que viveu da palavra. Usava palavras para descrever o que não vivemos e o que vivemos. Criar pessoas que somente sentimos. Ensinava o uso destas para objetivo com responsabilidade, se deparar com tal utilização da palavra genial de forma tão banal.

Entenderem a força da palavra aqui utilizada? Entenderam como ela simplesmente perde sentido se usada de forma vulgar? Não estou dizendo que Chimbinha é bom ou ruim, e sim que classificarmos ele, como gênio, é subvalorizar o adjetivo.

Você já chamou alguém de linda e se arrependeu, porque o seu conceito de lindeza vai além daquele uso. Você já disse "eu te amo" como bom dia ou boa noite, ou como vírgula, ou mesmo sem ter certeza do sentimento? Você já ofendeu alguém sem ter esta intenção? Você já foi mal interpretado? Usou palavras no lugar errado? Não conseguiu expressar em palavras sentimentos que tem?

Então, o uso das palavras exige cuidado. Pela força que elas tem sobre você e sobre quem você fala e se refere. Suas palavras dizem mais sobre você, do que sobre o que ou quem você quer falar.
Suas palavras também te definem. Dizem como você costuma se expressar e se colocar. Como você vê o mundo de acordo com as palavras que usa.

E que tipo de energia você quer lançar através das suas palavras? Você tem noção da energia que lança com suas palavras? Você sabe o que cada palavra em si carrega? O quanto elas podem te moldar?

Espalhe palavras boas. Espalhe boas energias.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Eu Julgo, Tu Julga. Ele Julga, Nós Julgamos...


A gente julga!
A gente julga todo mundo, à todo tempo.
Fomos criados para reconhecer e conhecer de cara e ver se vamos com a cara ou não. Certo ou errado, somos assim.


Por que?
Porque a gente julga.
Emite opinião sem saber quem é a pessoa.
Fala que não vai com a cara sem nem conhecer.
E depois revê. Revisita. E viu que estava errado.
Nos apresentamos de novo.

Isso aconteceu comigo e com Claudia Leitte e com aquela colega de trabalho que tem um jeito que incomoda. Agora eu já as entendi e tenho mais paciência, compreensão e afeto.

Julgamos tudo e à todos
Por que?
Porque sem julgamentos não temos referência.

Certa vez uma amiga ficou chateada comigo porque julguei algo que achei errado dela fazer. Achei que ela estava errada que Eu não a estava julgado.
...porém estava, porque fazemos isso.

Entendam, era algo que achava errado (meu julgamento) na época e acho errado ainda hoje. E ela pediu minha opinião. E ela não queria ouvir opinião contrária a dela, por que basicamente quando estamos envolvidos emocionalmente com algo e nos dizem algo diverso do que queremos temos dificuldade de assimilar e aceitar.


Mas não a avisei que minha opinião era minha verdade. Não era a dela. Não era nem de longe o que ela queria ouvir. Não era nem mesmo a verdade absoluta do mundo. Ela disse que a julguei porque não tinha a coragem dela. Pode ser. Não teria mesmo coragem de fazer algo que considero errado.
Mas ela teria. Ela não gostou. A amizade que não era forte se desfez a partir dali. Hoje nem sei por onde anda.

Mas eu aprendi.
Aprendi que nossa opinião deve ser pedida.
E deve ser antecedida pela advertência de que ela não é verdade absoluta da vida. É só nossa forma de ver a situação que nos foi trazida e essa é única com base na nossa vivência e experiências.

Aprendi que quando a pessoa pergunta o que eu faria ou pede minha opinião na maioria das vezes ela sabe o que fazer, mas não tem coragem - precisa de afirmação externa - ou não quer admitir que a atitude correta pode não ser de seu agrado.

Aprendi que devemos tentar não julgar e sim nos colocar no lugar da pessoa. EMPATIA!!
Não seria o que eu faria. Ou seria também. Mas não tem como eu saber porque sentimentos e vivências são únicos.

Aprendi que quando nos falam o que não queremos ouvir ou não estamos preparado, não quer dizer que está errado. Só que não é o que pensamos ou o que achamos que era.

A vida é mais que nossas opiniões.
A vida é mais que nossa vivência.
A vida é estar aberto à novas formas de ver.
A vida é desconstrução.
A vida é metamorfose ambulante. 


Admitir novas ideias, novos modos de viver e pensar e ser, não é sinal de fraqueza e sim de sabedoria.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Guia prático da mulher do século XXI

Ás vezes, conversando com as amigas, principalmente aquelas que ainda não estão no processo de auto aceitação e não entenderam muito bem que ser mulher no mercado de trabalho é luta diária e que feminismo não é "mimimi", dá uma vontade de botar no colo e chamar no canto para explicar coisas que já vivi e aprendi.


Então, por esta razão compilei a lista que segue abaixo, para falar o que já aprendi, ou percebei que é importante, quando se trata de ser mulher, na verdade de ser um ser humano melhor, em pleno século 21. Então, segue a listchinham.

- seja crítica com tudo e todos, mas nem sempre precisa ser a chata, você pode só entender as situações e continuar vivendo;
- sinceridade não é sinônimo de grosseria;
- sua felicidade é sua meta;
- aprenda e ser feliz sozinha;
- não se trata de você, e sim do todo;
- dê valor aos seus pais e as pessoas que estão ao seu lado quando você não está rindo;
- seja fiel a você mesma e aos seus princípios. Tenha princípios. Eles te seguram quando você fica de frente com decisões éticas;
- não se trata de ter razão, você não precisa provar pras pessoas quem você é;
- não saber cozinhar não é o fim do mundo;
- não tente se achar em outras pessoas;
- não querer ter filhos não faz de você uma alienígena
- tenha certeza de quem você é;
- faça uma viagem sozinha;
- ninguém nos preenche, somos inteiros;
- não somos metade de laranja;
- não descuide de sua saúde e em especial, mulheres cuidem da sua saúde íntima;
- entenda o que te dá prazer e de preferência se masturbe;
- não se sabote. Se permita;
- entenda sobre a Lei Maria da Penha e seus direitos de modo geral;
- não se iluda com capas de revistas e casamentos de famosos;
- a luta feminista é pela igualdade de direitos e não pela sobreposição deles aos direitos masculinos;
- cada uma das nossas escolhas geram consequências que nos impactam de forma que às vezes não controlamos e normalmente isso não é ruim;
- não critique sem conhecer;
- mudança não é ruim;
- zona de conforto também não;
- não é vergonha ou desonra ser dona de casa;
- felicidade e solidão depende de ser e é mais íntimo e interno do que algo relacionado a outra pessoa;
- ...

Claro que quando eu ler esta lista amanhã, estarão faltando coisas, mas assim é vida, né nom?

E vocês, como seriam suas listas?


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Experiência Ruim - 99 Táxi

Sempre que pego o 99 táxi, tento ver o valor de modo a ponderar entre uber e táxi. Para ficar justo e equilibrado entre eles. Ora pego um ou outro.

toonces the driving cat GIF by Saturday Night Live

Peguei táxi pois estava sem uber na área onde eu estava. Praça Saens Penã. Achei estranho. Mas ok.

Peguei o táxi que na cotação cobraria a partir de 15 reais.  Achei caro para o trajeto que estou acostumada a fazer, média de 11 reais. Mas ok.

Éramos 4 e ainda assim seria mais barato que pegar na rua ou ônibus. Estávamos esperando o táxi que vinha lentamente vendo números da rua. Até que chegou, mesmo vendo que estávamos fazendo sinal para ele.

Enfim, entramos e ele começou a falar sobre política pública de padronização de numeração de prédios e casas. Minha mãe deu trela. Ele começou a criticar o crivela, política de quotas, relacionamentos homoafetivos, eu e Vi nos olhamos, pensei em pedir para descer, mas continuei, caminho curto.

Argumentar nem passou pela cabeça. Preguiça.

Ele continuou falando monte de merda. Tentou discutir sobre o caminho. Achou que era no Borel. 
Deixamos a amiguinha da Vi na usina e subimos. Ele custou a entender que a menina queria descer pq morava em lugar diferente da gente. 

the adventures of pete and pete stu benedict GIF

Ao final o aplicativo calculou o valor e ele discordou. Eu disse que era o valor normal do aplicativo, deu R$ 10,65. Achei estranho, mas o aplicativo deve ter recalculado.
Ele disse que estava sendo roubado.
Eu disse que era esse o valor que eu pagava normalmente.
Ele falou grosso e disse que eu não estava falando a verdade.
Eu ri.
Saí do carro.
Ele deu o troco.
Cobrou o valor do aplicativo.

Que culpa tenho eu do aplicativo ter calculado o valor ao contrário do que ele achava que dava? Pq as pessoas são tão escrotas? Percebi a diferença entre uber e táxi.

Taxista acha que nos faz favor e não precisa tratar bem ou ser cordial e educado. Ele tem o espaço dele. Aquilo é o escritório dele. Casamento de 46 anos. Cansado e desleixado. Moroso e acomodado. Que reclama do amante. No caso a uber.


Uber não. Uber ainda está conquistando. Nos corteja. Nos respeita. Amante ou namoro recente.
Não estou defendendo a Uber, que nós últimos tempos tem deixando a desejar comigo e com algumas pessoas próximas, pois eu pergunto pra saber se só eu estou sentindo diferença no serviço. Todos estão sentindo. Está demorado, não levo menos de 15 para pegar um carro. Eles nunca sabem os trajetos e não são mais tão cordiais e atenciosos. Pode ser namoro beirando o fim que fica desatento e distante.

Mas ainda assim, em ambos serviços existem motoristas que nos pegam tarde da noite e nos enchem de ensinamentos sobre aceitação de viciado em recuperação que está trabalhando para refazer sua vida, ou do motorista que veio conversando comigo durante o trajeto para que eu não dormisse.

Com essas experiências entendi sobre os tipos de serviços que temos disponíveis, entendi que é óbvio que não devo generalizar, mas quando você passa por um experiência desse tipo e se sente impotente você não quer passar novamente. Principalmente, quando passa, após tentar ser justa diante das opções do mercado.

Ah, eu fiz a reclamação para a 99, não obtive retorno.

driver thought GIF

domingo, 28 de janeiro de 2018

Obrigada 2017. Vem 2018!


Acho que é hábito geral e mundial olhar pra trás, neste caso mais especificamente para o ano que ficou pra trás, 2017, analisar o que foi feito e traçar objetivos para 2018.

Mesmo que você não tenha o hábito da listinha de metas que nunca cumprirá no ano novo, como emagrecer e parar de beber, a análise é feita de modo automático, pela simples passagem de tempo e início de novo ciclo.

É o velho tudo novo de novo.

new year fireworks GIF

Então, quando bate 00:00:01h de 2018, zera cronômetro e começamos de novo a repensar e reprogramar a nossa vida a curto e longo prazo.

Fatiaram os ciclos nessa organização de anos, meses e semanas, dias para que tenhamos sempre a noção de recomeço. Achei inteligente, se me cabe essa reflexão.

Bom, no meu caso, nem sempre consigo fazer lista de resoluções para o ano novo. Quando, as vezes sai, sempre cago e não consigo cumprir tudo, aí fica uma sensaçãozinha maravilinda de fracasso, então...

Mas se tem uma coisa de que sou boa fiel e cumpro até o fim é lema de vida do ano.

Como assim?

Assim, nos primeiros dias de ano que começa surgem situações que me mostram qual vai ser a vibe do ano, qual direção meu coração vai seguir e após observar e sentir tudo isso é as pessoas a minha volta lema do no se mostra pra mim.

Em 2016, que foi um ano especial de redescoberta da minha forma de ser feliz e certezas profissionais, meu lema foi "não dizer sim a outras pessoas dizendo não pra mim". Como é isso? Muitas vezes colocava meu bem estar e necessidades alheias na frente das minhas. O que trabalhei em 2016, foi observar essas situações e evitá-las.

Deu certo!? Siiiim! Meta cumprida. Aprendi e me coloquei.

A meta de 2017 foi mais sobre caminhos a seguir e auto afirmação da minha personalidade e minhas vontades e principalmente da minha liberdade. Então o lema que se desenhou pra mim foi: fazer o que quero fazer. Se quero, vou fazer.com liberdade e responsabilidade fui escolhendo coisas, pessoas e situações. 

Foi ótimo. Me fortaleci. Tive certeza. Zero arrependimentos. E fui feliz para caraleo!

Em 2018, já estava sem esperança quanto ao lema. Achei que seria uma coisa mais sobre justiça e lei do retorno. Que iria aprender observando. Mas não.

O lema se mostrou de forma clara e límpida  algo que eu já precisava fazer como exercício diário.

Meu lema será: não me calarei.

Sim. Pq quem me conhece sabe que ainda penso e repenso e por questões de insegurança e receio de machucar outras pessoas prefiro sofrer sozinha a falar algo que me incomodou. Prefiro supor que a pessoa não teve a intenção do que confrontar e expor que algo que incomodou. Em 2018 não quero mais fazer isso.

Então será assim. Se eu sentir algo me incomodando, irei expor. Não quero fazer isso de forma grosseira ou mesmo criar situações. Mas ficará claro que a situação não me é confortável ou me foi ofensiva.

Não. Nem sempre terei plena razão quanto ao que falar, pq pressupõe-se que há duas pessoas no mínimo nessa interação e normalmente uma está mais certa que a outra. Mas estarei aberta a ouvir a outra pessoa e suas motivações. Mas não vou mais deixar de falado e guardar sentimentos estranhos sobre coisas que falando poderia resolver.

Então 2018, partiu ser uma pessoa melhor e mais honesta com meus sentimentos?


Partiu!

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